Os bancos e outras instituições financeiras projetam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março deve ficar perto de 0,70%. A expectativa sobre o indicador tem subido nas últimas semanas. O principal destaque das instituições que realizam os estudos são os combustíveis.
As projeções têm relação direta com a guerra no Oriente Médio, uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo.
A XP investimentos considera que o IPCA de março deve ficar em 0,74%. O patamar para o parâmetro chegou a este número após uma elevação. O valor anterior era de 0,70%.
O que é IPCA
- O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
- Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
- O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
- O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
A elevação nos preços dos combustíveis é apontada pelo Banco Daycoval como o principal ponto para a expectativa de inflação de março estar em 0,70%. No entanto, o banco enxerga que o índice pode desacelerar nos meses de abril e maio, com valores de: 0,42% e 0,25% respectivamente.
Assim como a XP, o BTG pactual também elevou a projeção do IPCA de março. Com isto, a expectativa para o índice passou de 0,70% para 0,74%.
Caso se confirme uma inflação na casa dos 0,70%, o índice ficará próximo ao do mês anterior. O IPCA é pesquisado com uma divisão em nove grupos. Os que grupos que mais influenciaram o índice de fevereiro foram educação (5,21%) e transportes (0,74%). Os combustíveis ficam dentro do grupo de transportes.
A previsão do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) para a inflação de março, assinado pelo coordenador dos Índices de Preços, André Braz, é que o IPCA fique em 0,54%. Braz considera que o grupo de transportes terá alta de 0,88%, com destaques para gasolina (2,36%) e o diesel (+7,16%).
Por outro lado, o economista do FGV Ibre acredita ligueira em retração nos preços dos grupos de artigos de residência (0,12%) e saúde e cuidados pessoais (0,15%).
Veja a variação do IPCA por grupos em fevereiro:
- Alimentação e bebidas: 0,26%;
- Habitação: 0,30%;
- Artigos de residência: 0,13%;
- Vestuário: 0,16%;
- Transportes: 0,74%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,59%;
- Despesas pessoais: 0,33%;
- Educação: 5,21%
- Comunicação: 0,15%.
Inflação anual
As projeções de inflação para o ano de 2026 apresentam valores diversos. O Banco Central (BC) considera índice de 3,9%, enquanto o governo trabalha com 3,7%. Já entre as instituições financeiras, os valores são mais pessimistas:
- XP Investimentos: 4,5%;
- BTG: 4,7%;
- Banco Daycoval: 4,2%;
- Bradesco:3,8%;
- Itaú: 4,5%.
A divulgação do resultado do IPCA de março de 2026 está prevista para as 9h desta sexta-feira (10/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Petróleo puxa combustíveis
Os preços dos combustíveis têm subidos embalados pela guerra no Oriente Médio. O conflito teve início do dia 28 de fevereiro deste ano. Àquela altura, o barril do petróleo tipo brent, que é referência no mercado internacional, oscilava perto de US$ 70. Com o avanço do conflito, o item chegou a ser precificado a US$ 120.
No meio da tarde de quarta-feira (8/4), o barril era negociado a US$ 94,14. O item chegou a este valor diante de uma retração de 13,85% no dia, em decorrência do anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
No Brasil, o diesel tem subido de forma significativa. Para tentar conter a alta, o governo federal lançou mão de um pacote de medidas que envolve a isenção de impostos, a concessão de subsídios e o reforço na fiscalização contra a prática de preços abusivos.





