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Home Agricultura e Pecuária

Sensação térmica de 70°C no Brasil? Não é bem assim. Entenda ‘confusão’

Metereologistas explicam controvérsia dos últimos dias sobre a previsão do tempo

por Globo Rural
12/02/2025
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 5 minutos
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Calor segue forte no verão brasileiro com temperaturas acima de 40ºC — Foto: Getty Images/Canva

Calor segue forte no verão brasileiro com temperaturas acima de 40ºC — Foto: Getty Images/Canva

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A onda de calor responsável por elevar as temperaturas em grande parte do país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, tem deixado o país em alerta. Nesta semana, uma publicação informou que a sensação térmica poderia chegar a 70° em Porto Alegre, 50°C em São Paulo e 60°C no Rio de Janeiro, o que gerou ainda mais preocupação. Mas, afinal, isso é possível?

O que é a sensação térmica e como ela é calculada?

A sensação térmica, também chamada de “índice de calor” ou “fator de resfriamento pelo vento”, reflete a temperatura percebida pelo corpo humano. Para se fazer o cálculo, leva-se em conta a temperatura em graus Celsius, a umidade do ar e a velocidade do vento.

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Quanto maior a umidade relativa do ar (relação entre a quantidade de vapor de água presente no ar e o volume máximo de vapor que o ar poderia ter naquela temperatura), maior é a sensação térmica, uma vez que a umidade excessiva dificulta evaporação do suor humano. Os ventos ajudam a diminuir essa percepção de calor porque aceleram o processo natural de resfriamento do corpo.

Ou seja, a sensação térmica não reflete a temperatura real, e sim a forma como o corpo humano percebe a exposição a determinada condição climática.

É possível que o Brasil tenha sensação térmica de 70°C?

Segundo especialistas ouvidos pela Globo Rural, isso não é impossível de ocorrer, mas “extremamente difícil”. De acordo com Ricardo de Camargo, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), órgão de metereologia da Universidade de São Paulo (USP), não há indícios de que a sensação térmica poderá chegar a 70ºC nesta semana.

“A informação veiculada não partiu do IAG”, reitera o professor. Segundo ele, a reportagem consultou a USP e recebeu a informação de que o Núcleo de Climatologia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP), ao qual se atribui o dado, está atualmente desativado. Veja a tabela utilizada:

Para o metereologista Willians Bini, a projeção que repecurtiu nesta semana, com o alerta sobre a possibilidade de cidades brasileiras enfrentarem sensação térmica de 70°C, faz uma “confusão” ao interpretar os dados da tabela de Steadman.

“Ao pegarmos a condição do dia e cruzarmos a maior temperatura prevista e a umidade relativa do ar máxima, o resultado será uma sensação térmica muito alta. O problema é que essas duas variáveis metereológicas não ocorrem ao mesmo tempo”, esclarece Bini.

Na terça-feira (11/2), por exemplo, a informação da reportagem era de que a sensação térmica alcançaria 70°C em Porto Alegre, o que não aconteceu. A temperatura na cidade chegou a 39°C, com umidade relativa do ar de 36%, resultando em uma sensação térmica de pouco mais de 47°C.

De acordo com o meteorologista Celso Oliveira, o método que leva em consideração a umidade relativa para estimar como o corpo humano, desenvolvido por Peter Steadman, é uma fonte confiável, mas, como desconsidera a ação do vento, ele não se aplica a todos os casos. Por mais fraco que seja, o vento diminui a sensação térmica.

“Só seria possível aplicar essa tabela em locais sem vento. Além disso, é difícil que existam temperaturas de 40°C com umidade de 90% porque a temperatura e a umidade relativa do ar são inversamente proporcionais. Ou seja, se a temperatura sobe, a umidade relativa cai”, afirma.

Algumas exceções podem ocorrer, em casos muito específicos, como no Rio de Janeiro, por exemplo. Por ser uma cidade costeira, o Rio tem umidade bastante alta e calor excessivo, o que torna possível a sensação térmica de mais de 60°C. “Como estamos passando por um período de onda de calor, a temperatura, logicamente, vai ficar muito alta. Mas a sensação térmica de 70°C só aconteceria se as duas condições fossem simultâneas, o que é extremamente difícil”, complementa Bini.

O que está causando a nova onda de calor?

A onda de calor caracteriza-se por uma sequência de, no mínimo, três dias com temperaturas em uma determinada região, no mínimo, 5°C acima da média esperada para o período. Com a previsão da diminuição das chuvas na região central do Brasil, os períodos de sol prolongados vão elevar as temperaturas naturalmente, já que a chuva regula a temperatura. Além disso, como os sistemas de chuva estão se formando no Sul do Brasil, os ventos que sopram para o Centro-Oeste e o Sudeste tendem a sair do Norte e noroeste, contribuindo ainda mais para o aumento da temperatura.

Quando acaba a onda de calor?

O fenômeno, que está em ação desde o início desta semana, deve perder força no Sul do país nesta quarta-feira (12/1), quando vai migrar para o Sudeste e o Centro-Oeste. Segundo Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo, a previsão é de que o calor excessivo nessas regiões persista até o dia 18 de fevereiro.

Áreas do Rio de Janeiro, incluindo o Grande Rio, além do noroeste de Minas Gerais, oeste da Bahia, Vale do São Francisco e a região de sertão entre Bahia, Pernambuco e Piauí, devem ser as mais afetadas, com temperaturas de até 40°C. Já as cidades de São Paulo e Belo Horizonte devem registrar máximas de 35°C, e Vitória, de até 38°C.

Para o interior do Brasil, afirma Desirée Brandt, meteorologista da Nottus, a projeção é de que a temperatura também se aproxime dos 40ºC, principalmente durante as tardes, quando os termômetros devem atingir seu pico. “Já é possível sentir a redução de chuva na região central do Brasil devido um corredor de umidade que está voltado para o Sul”, diz.

Com a previsão de queda do volume de chuvas na região central do país, os períodos prolongados de sol vão aumentar naturalmente as temperaturas. Períodos de sol mais longos fazem com que as temperaturas subam bastante. A chuva regula os termômetros.

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