O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, afirmou nesta quarta-feira (8/4) que o governo federal tem uma visão míope em relação ao desenvolvimento do seguro rural no país. Segundo ele, a falta de orçamento federal para a subvenção das apólices tem intensificado o cenário de endividamento no campo e pressionado ainda mais as contas públicas por conta das medidas de renegociação.
Durante evento em Brasília, Oliveira disse que é preciso mudar a lógica de alocação dos recursos da política agrícola e aumentar o caixa do seguro rural.
“Temos tido miopia do governo a respeito disso, estão fazendo economia de palito de fósforo: para economizar R$ 400 milhões ou R$ 500 milhões no seguro rural, gastam R$ 20 bilhões ou R$ 30 bilhões na renegociação de dívidas desses produtores que, se tivessem seguro, não estariam endividados nem gerando custo para o Tesouro Nacional e encarecendo o crédito para outros produtores rurais”, afirmou o dirigente na abertura do evento Diálogo setorial: seguros, crédito e agronegócio, na sede da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Oliveira citou a redução de orçamento para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e a queda registrada na área segurada, que saiu de 13,7 milhões em 2021 para 3,2 milhões de hectares em 2025.
O presidente da CNseg disse que o modelo de agronegócio do Brasil é sofisticado, inclusive a infraestrutura financeira usada para fomentar a produção, mas que o apoio ao crédito “monopolizou” a atenção da política pública brasileira. “Por isso temos R$ 600 bilhões no Plano Safra e apenas R$ 500 milhões no seguro rural”, criticou.
O orçamento federal para subsidiar parte dos financiamentos foi de R$ 18,9 bilhões em 2025. Para o PSR, foram destinados R$ 1,06 bilhão inicialmente, mas houve cortes e bloqueios. O valor utilizado ficou em R$ 565,4 milhões para novas apólices. Outros R$ 67 milhões foram usados para quitar dívidas com seguradoras de 2024.
“Temos que fazer o mesmo movimento no seguro rural. Estamos muito atrás de outros países. Nos Estados Unidos, 90% da área plantada tem seguro. Na Europa temos modelos interessantes, na França e Espanha, por exemplo”, disse.
Segundo Oliveira, por essa lógica de alocação orçamentária, a “solução” que tem sido dada ao produtor é o endividamento. Com isso, o crédito em geral fica mais caro. “Essa dinâmica vem prejudicando o acesso ao crédito dos produtores rurais, pois o banco coloca isso na conta. O custo do crédito no Brasil já carrega o custo das inadimplências, das renegociações de dívidas e das perdas climáticas indiretamente, e é o produtor rural que paga tudo isso”, apontou.





