Maior medalhista olímpica da história do Brasil, com dois pódios conquistados em Tóquio e outros quatro em Paris, Rebeca Andrade iniciou mais um ciclo, de olho nos Jogos de Los Angeles. Aos 25 anos – completará 26 em maio –, a ginasta deixou as disputas de solo, que começaram a exigir demais do corpo, mas não dá indícios de aposentadoria. Mesmo assim, já planeja o que fazer depois de se despedir totalmente da rotina de atleta. Trave, barras assimétricas e salto podem dar lugar a clínicas de psicologia.
– (Penso em ser psicóloga) Não só do esporte, mas de todos. Dos atletas, das pessoas que não são e nem praticam esporte. Eu tenho essa vontade – disse Rebeca, em entrevista a Karine Alves, nova apresentadora do Esporte Espetacular.
Desde 2022, a ginasta concilia as competições com o estudo da psicologia. No ano passado, teve que trancar a faculdade por causa dos treinos para as Olimpíadas. A rotina cheia de atividades também impede que as grades curriculares dos períodos sejam extensas. Então, a formatura ainda surge como algo distante, mas Rebeca não tem pressa:
– Talvez restem três, quatro anos de faculdade, porque, como tenho muita demanda, pego menos matérias. Levo um pouco mais de tempo para terminar, mas também não preciso correr. Estou tranquila.
O interesse de Rebeca por psicologia e cuidados com a mente já tinha sido mostrado em outras oportunidades. A multimedalhista olímpica costuma citar a parceria com Aline Wolff, psicóloga do Comitê Olímpico do Brasil (COB), por exemplo. Valorizar a saúde mental, inclusive, foi o que ajudou a ginasta a lidar com o lado ruim da fama.
– Eu acho que a parte mais difícil são as pessoas querendo tomar conta da sua vida. Se você não é alguém tão preparado, se não tem cabeça muito forte, se deixa levar e acaba adoecendo. Graças a Deus, tenho a Aline comigo. Quando meu boom aconteceu, ela já estava ao meu lado e me ajudou muito a lidar com as coisas. A minha rede de apoio familiar também é muito boa, e minha cabeça estava mais preparada para viver tudo. Talvez, em 2016 (Olimpíadas do Rio de Janeiro, quando saiu sem medalhas), eu não tivesse lidado como lidei em Tóquio e Paris. É preciso entender que quem manda em você é você mesmo – comentou Rebeca.
A tranquilidade nas palavras também está presente em decisões que a atleta tomou recentemente. Depois de conquistar o ouro em Paris, Rebeca decidiu se afastar das competições de solo, porque o corpo já dava sinais de desgaste. Com três cirurgias no joelho, a ginasta concluiu que não valia a pena correr riscos no aparelho:
– Estou certa da minha decisão (de não competir mais no solo). É o que eu preciso no momento. Foi difícil, porque é um aparelho que eu gosto, mas eu gosto mais do meu corpo.
Ídolo também é fã
Reverenciada devido às conquistas – e ao que faz fora das competições da ginástica –, Rebeca listou alguns de seus ídolos no papo com o Esporte Espetacular. A mãe, Rosa Santos, foi a primeira citada, enquanto Daiane dos Santos apareceu como referência na ginástica.
Na música, Beyoncé e Iza não saem da cabeça de Rebeca. A cantora carioca, inclusive, convidou a atleta para um dueto no Rock in Rio do ano passado, mas o Campeonato Brasileiro de ginástica artística não permitiu que a parceria fosse vista no palco.
– Meu coração doeu tanto, porque eu queria esse momento – lamentou Rebeca.
A admiração por outras pessoas, incluindo atletas, também se reflete em um plano que a ginasta tem para a própria casa. Rebeca quer construir um quarto para guardar troféus e medalhas que conquistou ao longo da carreira. Os dois ouros, três pratas e um bronze das Olimpíadas estarão lá, por exemplo. Mas o cômodo também abrigará itens dados por competidores de diferentes modalidades.
Sobrou até cobrança de Rebeca, aos risos, para atletas que ainda não contribuíram com presentes:
– Eu guardo coisas que ganhei de outros atletas, como raquetes da Bia Haddad e da Luisa Stefani, touca do Bruno Fratus. Inclusive, Rafaela (Silva) e Ana Marcela (Cunha), está faltando vocês.