A sucessão ao governo do Maranhão virou foco de disputa entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após um racha político na base governista do estado. De um lado está o governador Carlos Brandão; do outro, o vice-governador Felipe Camarão (PT), que também pretende se lançar como candidato ao Palácio dos Leões.
A crise teve início quando o governador desistiu de um plano que vinha sendo tratado nos bastidores, que previa que Brandão deixasse o cargo no primeiro semestre para disputar uma vaga no Senado pelo estado. Com isso, Felipe Camarão assumiria o governo e se lançaria como sucessor de Brandão.
O movimento, contudo, foi abortado e o atual governador passou a defender que permanecerá no cargo até o fim do mandato. Nos bastidores, aliados avaliam que a decisão tem como objetivo impedir que o vice utilize a estrutura do governo para se fortalecer eleitoralmente e inviabilizar o projeto de lançar Orleáns Brandão como sucessor -nome mais cotado atualmente.
O que está acontecendo
- Felipe Camarão é um quadro estratégico do PT. Além de aliado de Lula, ele é atualmente o único vice-governador filiado ao partido no país.
- Camarão integra o grupo político conhecido no Maranhão como “dinistas”, ligado ao ex-governador Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
- Brandão, que chegou ao governo com apoio desse grupo, se afastou dos dinistas ao longo do mandato
Pessoas próximas ao governador afirmam que Brandão pretende mesmo concluir o mandato e trabalha para emplacar um nome seu na sucessão estadual. Segundo esses interlocutores, ele nutre a expectativa de contar com o apoio do presidente Lula e aguarda uma conversa direta para tratar do cenário eleitoral no estado.
O impasse, portanto, coloca o PT diante de um cenário complexo em um estado importante para a gestão petista, visto que, em 2022, Lula venceu no Maranhão com 71,4% dos votos. O partido terá de decidir como se posicionar em um cenário em que dois aliados do presidente disputam o comando do estado por frentes diferentes.
Segundo apurou o Metrópoles com pessoas a par das articulações no estado, a posição inicial de Lula é tentar construir uma convergência em torno de um único nome. Esse nome poderia ser tanto Felipe Camarão, Orleáns Brandão ou até envolver uma aliança mais ampla, que incluiria o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), visto como um nome competitivo da oposição.
Interlocutores do partido, porém, admitem que essa costura é considerada pouco provável diante do nível de desgaste entre os grupos. A avaliação é que as articulações seguem em curso, mas sem pressa para uma definição. A orientação, por ora, é manter o diálogo aberto e evitar decisões precipitadas no estado.






