Praticamente 100% das gestantes apresentam de dois a três sintomas em algum momento da gravidez, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Eles podem surgir logo nas primeiras semanas, mudando conforme a gestação avança.
Esses sinais estão diretamente ligados à ação hormonal e são, na maioria das vezes, o primeiro sinal de que o organismo começou a de adaptar para o desenvolvimento do bebê. O corpo passa a produzir níveis elevados de progesterona e estrogênio, hormônios que ajudam a manter a gestação, mas também provocam alterações no sistema digestivo, no sono e até no olfato.
O ginecologista e obstetra Carlos Moraes, do Hospital Albert Einstein, explica que a presença de sintomas é esperada, mas varia muito.
“Cada mulher vivencia a gestação de forma diferente. Algumas têm muitos sintomas no início, outras quase não sentem nada. Isso faz parte da resposta individual do organismo”, afirma.
Primeiros sintomas da gravidez
Os sintomas da gravidez nem sempre começam com enjoo. Em muitos casos, eles são sutis e confundidos com sinais da menstruação ou cansaço. A ginecologista e obstetra Ludmila Bercaire, que atua em São Paulo, destaca que um dos sintomas iniciais mais confundidos é o sangramento vaginal leve.
“A paciente que, no período em que seria sua menstruação ou após um pequeno atraso, apresenta um sangramento mais leve ou diferente do habitual, pode estar experimentando um sinal de gestação inicial”, explica a médica.
Esse sangramento pode estar relacionado a um descolamento ovular e merece atenção. Cólicas leves, sensação de inchaço abdominal e cansaço fora do padrão também podem aparecer nas primeiras semanas.
Alterações pouco lembradas
Nem todos os sintomas da gravidez são amplamente conhecidos. Mudanças no paladar e no olfato também fazem parte do quadro. Segundo a ginecologista Bárbara Freyre, da Clínica Trinitá, em Brasília, algumas mulheres relatam gosto metálico na boca antes mesmo de sentir enjoo.
“Além disso, congestão nasal, estufamento e sono excessivo também podem ocorrer nos primeiros dias de gravidez”, afirma.
Quando os sintomas da gravidez fogem do esperado
Carlos Moraes ressalta, porém, que há limites para o que é considerado normal. “Quando os sintomas se tornam intensos, constantes e passam a comprometer a saúde da mãe ou do bebê, é necessária avaliação médica urgente. Aalguns quadros exigem atenção. Entre os sinais de alerta estão:
- Vômitos intensos e persistentes;
- Sangramento vaginal volumoso;
- Dor abdominal forte;
- Inchaço súbito em rosto e mãos;
- Febre associada a mal-estar.
Observar os sintomas da gravidez, a frequência e intensidade ajuda a diferenciar desconfortos esperados de possíveis complicações. O acompanhamento pré-natal é fundamental para avaliar qualquer alteração. Na dúvida, a orientação dos especialistas é clara: sintomas que preocupam ou fogem do padrão não devem ser ignorados. Quanto mais cedo houver avaliação, menores os riscos para mãe e bebê.






