A produção de laranja no estado americano da Flórida, que era superior a 140 milhões de caixas há 15 anos, deve atingir seu nível histórico mais baixo na temporada 2025/26, segundo a estimativa de produção divulgada na primeira quinzena de janeiro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A previsão é de uma safra de apenas 12 milhões de caixas de 40,8 kg, uma queda de 2% em comparação com o ano passado.
O total inclui 7,5 milhões de caixas da variedade Valência e 4,5 milhões de caixas de laranjas não-Valência (variedades precoces, de meia temporada). O número estimado de laranjeiras em produção é de 20,7 milhões.
A produção na Flórida, segundo maior produtor mundial, começou a despencar a partir da safra 2014/15, quando ficou abaixo de 100 milhões de caixas. O recorde negativo anterior era da safra 2024/25, que caiu 23% em relação à 2023/24.
Eventos climáticos extremos como furacões impactaram a produção, mas a devastação foi causada principalmente pela doença do greening, que teve seu primeiro caso nos Estados Unidos relatado em 2005 em pomares domésticos e se espalhou rapidamente, chegando às regiões comerciais da Flórida.
O greening ou Huanglongbing/HLB é uma doença sem cura que afeta os pomares de citros nas principais regiões produtoras do mundo, com exceção dos países europeus e do continente australiano. Devido ao seu grande poder destrutivo e alta capacidade de contágio, é considerada a maior ameaça à citricultura em escala mundial.
Só no ano passado, a Flórida destinou US$ 140 milhões em fundos estaduais para apoiar a indústria cítrica local, sendo mais de US$ 100 milhões destinados à pesquisa, testes de campo e plantio de variedades mais resistentes à doença.
Combate ao greening
Uma boa notícia vem da Universidade da Flórida, que desenvolveu uma nova variedade de laranjeira que demonstra tolerância ao greening. Cientistas da universidade fortaleceram a nova cultivar com uma proteína natural que potencializa o sistema imunológico da planta. O resultado é uma árvore cítrica capaz de tolerar a doença, mantendo a produção e a qualidade dos frutos.
Apesar da queda de produção, Matt Joyner, vice-presidente executivo da indústria Florida Citrus Mutual, disse ao portal americano Fresfruit que está otimista este ano porque o setor está apresentando sinais de uma lenta recuperação em outras frentes. Segundo ele, são registrados ganhos constantes de produtividade por hectare e os produtores relatam que as árvores estão mais saudáveis e com frutos maiores.
Por outro lado, no ano passado, a Alico, uma das mais tradicionais empresas americanas de citros, com mais de 100 anos de história, encerrou suas operações com frutas cítricas na Flórida e demitiu quase todos os funcionários.
No Brasil
A partir de 2004, os pomares brasileiros também foram impactados pelo greening. Levantamento do Fundecitrus aponta uma incidência de 48,64% da doença nos laranjais do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro, mas a captura média de psilídeo em armadilhas distribuídas por 23 regiões do parque citrícola caiu pelo segundo ano consecutivo. Essa queda indica uma tendência de redução após o pico registrado em 2023.
No dia 12 de janeiro, representantes da Fapesp, Esalq/USP e Fundecitrus assinaram, em Piracicaba (SP), o convênio que oficializa a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura, o CPA Citros, uma parceria estratégica público-privada que reúne pesquisadores do Brasil e de outros países no combate ao greening.
Nesta temporada, a estimativa é de uma produção nacional de 314,6 milhões de caixas, um aumento de 36% em relação às 230,9 milhões de caixas da safra 2024/25. O aumento se explica pela alternância de produção, maior número de árvores produtivas (182,7 milhões ante 169,9 da safra anterior), maior número de frutas por árvore (617 x 474) e clima favorável de outubro a dezembro.







