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Home Agricultura e Pecuária

Preço do milho atinge o maior patamar em três anos no Brasil

A forte alta significa pressão sobre os custos de produção das empresas de frango, suíno e ovos

por Globo Rural
24/03/2025
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 4 minutos
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colheita de lavoura de milho em Paulo Bento RS — Foto: Mauricio Tonetto / SecomRS

colheita de lavoura de milho em Paulo Bento RS — Foto: Mauricio Tonetto / SecomRS

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Oferta restrita, demanda em alta e estoques em queda levaram o preço do milho ao maior patamar desde 2022 no Brasil. Durante todos os dias da última semana, o Indicador de preço ESALQ/BM&FBovespa base Campinas (SP) para o milho, apurado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), superou os R$ 90 por saca, o maior valor nominal desde abril de 2022. No início de 2025, o indicador estava em R$ 72,94. Um ano atrás, em R$ 62,62 a saca.

A forte alta significa pressão sobre os custos de produção das empresas de frango, suíno e ovos, uma vez que o milho é um dos principais componentes da ração dos animais.

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Segundo Ênio Fernandes, analista da Terra Agronegócios, a alta do milho no mercado doméstico já estava desenhada desde o início deste ano. “Várias consultorias sinalizaram para uma forte alta do milho depois de janeiro. Isso por causa de uma soma de fatores, como demanda aquecida por parte das indústrias de proteína animal e de usinas de etanol, em um momento que temos escassez na oferta”, afirma Fernandes.

Tradicionalmente, o primeiro semestre do ano é marcado por uma disponibilidade menor de milho no Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) até projeta incremento de 8,3% na produção do cereal de verão da safra 2024/25 — plantado na primeira metade do ciclo —, que pode atingir 24,8 milhões de toneladas.

No entanto, grandes Estados produtores passam por um atraso na colheita, reduzindo a oferta de milho no mercado. Em Santa Catarina, por exemplo, a colheita do milho chegou a 62% da área até o último dia 17, em comparação com os 72% colhidos na média dos últimos cinco anos. Em Minas Gerais, o índice chegou a 22%, queda de dois pontos percentuais na média plurianual, mostra a Conab.

Os estoques iniciais da temporada 2024/25 também contribuem para a alta do milho, uma vez que somam 2,04 milhões de toneladas, abaixo das 7,2 milhões de toneladas da safra 2023/24, segundo dados da Conab.

Glauber Silveira, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), atribui o momento de valorização à entressafra, que combinada com a disputa comercial entre EUA e China adiciona pressão de alta para o milho no Brasil.

“A demanda mundial por milho está aquecida, e a briga da China com os EUA pode favorecer o Brasil, ainda que os chineses não sejam um grande comprador nosso. Foram 9 milhões de toneladas em 2024, mas eles já foram nosso principal parceiro no milho”, observa, referindo-se a 2023, quando o país adquiriu 17,4 milhões de toneladas, das 55,6 milhões toneladas de milho exportadas pelo Brasil.

Silveira vê a demanda mais aquecida pelo cereal, mas diz que não há falta do produto no mercado interno. “Não está faltando milho no Brasil. O problema é que ele está deslocado. Você encontra milho nos armazéns, mas para dar vazão ao escoamento, a logística é cara. Ninguém vai transportar milho em meio à concorrência com a soja neste momento”, avalia.

O andamento da esperada safra recorde de soja no Brasil faz com que as negociações com milho percam espaço. Com agentes afastados das negociações, o preço tem pouco espaço para quedas, destaca Leandro Guerra, da LC Guerra Corretora de Cereais.

“Todo o dinheiro do mercado está concentrado na movimentação da soja. Além disso, muitos armazéns não conseguem trabalhar com os dois grãos [milho e soja], e há ainda o fato de o frete do milho ser mais caro. Isso tira muitos participantes do mercado, levando a altas expressivas. Por aqui, já fechamos a saca a R$ 100 mais impostos em São Paulo”, relata Guerra.

Os analistas ouvidos pela reportagem afirmam que o milho pode, enfim, experimentar desvalorização com a chegada da safrinha no Brasil, a partir de julho. Até lá, não há espaço para os valores irem muito além dos patamares atuais.

“Quando o milho bate nos R$ 100, muitos compradores já começam a fazer a conta de importação da Argentina. Principalmente com um dólar mais fraco, a compra lá fora faz mais sentido. Por isso, acredito que não há muito espaço para subir tanto. Estamos em um teto, que só muda em caso de problemas sérios com o clima para a safrinha”, afirma Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios.

Segundo a pesquisadora de ovos do Cepea, Cláudia Scarpelin, “o preço do milho é um ponto de atenção bastante importante para o produtor de ovos, e ele tem avançado muito”. Isso significa pressão sobre os custos. (Colaborou GW, de São Paulo)

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