A semana começou com poucos negócios no mercado pecuário. Ainda assim, no Estado de São Paulo, os frigoríficos que abriram compras observaram um aumento na oferta em relação ao final do ano, o que deu espaço para ofertas de compra abaixo da referência para o boi gordo.
Segundo a Scot Consultoria, nesta segunda-feira (5/1), o preço do boi gordo caiu R$ 2 em Araçatuba (SP) e Barretos (SP), para R$ 317 a arroba no pagamento a prazo. Além das praças paulistas, também houve redução de valores em Campo Grande (MS) e no Rio de Janeiro. Nas demais regiões, houve estabilidade nas cotações.
Em 2026, os preços dos animais e da carne devem ter boa sustentação, com tendência de alta, afirma o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O impulso é explicado pelas demandas interna e externa pela carne bovina brasileira, que devem continuar em crescimento. Já o aumento da produção nacional será desafiador, mas não se descarta uma nova expansão, ainda que comedida, neste ano.
No contexto global, as projeções são de diminuição de oferta de carne e, por consequência, os preços devem ser fortalecidos, reiterando o estímulo à produção. A pecuária brasileira vem “embalada” a ponto de ter se tornado a maior do mundo em 2025, conforme divulgação recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Pela primeira vez, o Brasil produziu mais carne que os EUA.
Em relação à demanda, segundo o Cepea, os fundamentos sinalizam crescimento tanto no mercado doméstico quanto para exportação. Em um ano em que acontecem eleições gerais no Brasil e Copa do Mundo, a tendência é que haja mais dinheiro em circulação. “Mesmo com contas pendentes atrapalhando parcialmente o consumo, outros fundamentos macroeconômicos podem estimular as vendas domésticas de carne bovina”, afirma o Centro de Estudos.
Pesquisadores do Cepea relatam que o consumidor estrangeiro também deve manter firme a procura pela carne brasileira, tendo em vista a dificuldade de outros grandes produtores recuperarem suas ofertas em curto prazo. Com o dólar acima de R$ 5, a carne brasileira se mantém competitiva e tende a sustentar mais um ano de crescimento das exportações.
Pelo lado da produção, o maior desafio pode ser a dificuldade de se encontrarem bons lotes de bois magros. Além da quantidade, a qualidade dos animais de reposição é um ponto de alerta. Ainda que a taxa de lotação de confinamentos se mantenha elevada ou em crescimento, se os animais que entram não tiverem base genética propensa ao ganho de peso ou se estiverem leves demais, a produção pode ser menos eficiente e apertar as margens dos confinadores.







