O mercado pecuário vem sentindo a pressão das escalas de abate mais confortáveis das indústrias e das incertezas causadas pela guerra no Oriente Médio para as exportações de carne bovina. Nesta quarta-feira (11/3), os preços do boi gordo caíram em grande parte das regiões produtoras, informa a Scot Consultoria.
Por outro lado, em muitas praças, as cotações foram sustentadas pela firmeza dos vendedores nas negociações. Das 33 regiões pecuárias monitoradas pela Scot, 17 apresentaram quedas no preço do boi gordo, enquanto as outras 16 não tiveram alterações na comparação diária. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, a arroba do boi seguiu em R$ 347 para o pagamento a prazo.
Já a cotação da vaca recuou R$ 3, para R$ 322 a arroba. A Scot destaca que, ao longo de 2025, a cotação do boi gordo ficou, em média, 9,4% acima da cotação da vaca, sendo raros os momentos em que essa diferença ficou abaixo de 7,0%. Em 2026, até 10 de março, essa diferença média caiu para 5,5%, e poucas vezes superou os 7,0%, comportamento oposto ao observado no ano anterior.
Diante disso, era possível considerar que a pressão recente sobre a cotação da vaca esteve relacionada a um ajuste do ágio entre machos e fêmeas. Com a forte valorização dos bovinos terminados no início do ano, os preços das fêmeas se aproximaram da cotação dos machos. Com a desaceleração das altas, as cotações passaram por um movimento de correção, buscando patamares mais próximos do padrão observado historicamente.
Entre junho de 2023 e dezembro de 2025, a cotação do boi gordo ficou, em média, 10,4% acima da cotação da vaca. No entanto, de acordo com a Scot, uma segunda análise pode ser considerada. Com a redução no abate de fêmeas e o possível início de uma virada de ciclo, marcada pela tendência de retenção de matrizes, a oferta de vacas tendeu a diminuir. Nesse contexto, um ágio menor entre o boi gordo e a vaca gorda, em relação ao observado nos últimos anos, poderia se consolidar como um novo padrão de mercado.







