Um grupo de pesquisadores abraçou uma missão, no Rio de Janeiro. Repovoar a Floresta da Tijuca com araras-canindés. E depois de um período de adaptação dentro de um viveiro na mata, chegou o grande dia.
Dois mil e vinte e seis mal começou, mas já reúne alguns dos melhores momentos do ano…
“Não dormi bem à noite e tudo esperando esse momento. Muitos meses esperando”, diz Matheus Sette Câmara, biólogo do Refauna.
Os motivos estão na mata. O viveiro gigante vai ser aberto para o voo livre da arara-canindé. Antes: café da manhã e E pesquisadores concentrados.
“Elas têm que estar bem para voar, tem o treinamento alimentar, a gente vai fazendo a transição, oferecendo os frutos que ela vai encontrar na floresta”, diz Joana Macedo, diretora do Refauna.
As quatro araras-canindés foram trazidas em junho do interior de São Paulo para o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Um momento histórico que o Jornal Nacional acompanhou.
A reintrodução dos animais faz parte do projeto Refauna, com o apoio do ICMBio e de outras instituições. Foram sete meses até este momento. O primeiro voo foi o da “Fernanda” decidida e rápida.
Duas horas depois, a “Suelli” com cautela, de olho no lanche. E a “Fátima”, desconfiada, esperou três dias até encarar a floresta.
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Pesquisadores soltam as primeiras araras-canindés no Rio de Janeiro após mais de 200 anos — Foto: Reprodução/TV Globo
Esse momento é bem delicado – poucas pessoas podem se aproximar do recinto, exatamente para não estressar os animais. Depois dessa soltura, o trabalho não vai parar. Outras seis araras Canindés vão ser reintroduzidas na floresta nesse primeiro semestre, e vão passar pelo mesmo processo de ambientação e soltura. O plano em 5 anos é ter pelo menos 50 animais colorindo o Rio de Janeiro.
“A cidade do Rio de Janeiro tem os dois maiores parques urbanos do mundo. O Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Nacional da Tijuca vai depender do compromisso enquanto sociedade proteger essas espécies sendo soltas hoje para que elas consigam dar continuidade ao projeto Refauna”, diz Mariana Egler, analista ambiental do ICMBio.
Após a soltura, a “Fernanda” reapareceu perto dos pesquisadores. Seria um agradecimento? Embaixo, são eles que dizem obrigado em silêncio.
“Muito emocionante encontrar esse animal completamente solto, ao ar livre, voando dentro dessa floresta”, afirma Luísa Genes, diretora científica do Refauna.
As araras estão com anilhas e colares de identificação. Na internet, já tem carioca encantado com o novo colorido.
“Imagina elas passando gritando pelo Cristo, e vai ser um espetáculo de cor, de barulho, vai ser lindo demais”, comenta Joana.







