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Pesquisa identifica possível cemitério de escravos em Salvador

Ministério Público tenta viabilizar a escavação do local, que pertence à Santa Casa

por CNN
12/02/2025
em Brasil
Tempo de leitura: 3 minutos
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Local aproximado onde o cemitério de escravos teria funcionado em Salvador (BA) • Reprodução/Google Maps

Local aproximado onde o cemitério de escravos teria funcionado em Salvador (BA) • Reprodução/Google Maps

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Uma pesquisa de doutorado conduzida pela arquiteta urbanista Silvana Olivieri, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), levantou indícios de que um antigo cemitério de escravizados pode estar localizado na área onde atualmente funciona o estacionamento da Pupileira, no bairro de Nazaré, em Salvador. A área é pertencente à Santa Casa de Misericórdia da Bahia.

A descoberta foi realizada a partir da comparação de mapas históricos e imagens de satélite, levando a pesquisadora a identificar um ponto exato que pode ser o local do cemitério.

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De acordo com Silvana Olivieri, o cemitério teria sido criado no século 18 e funcionado por cerca de 150 anos, até ser fechado em 1844. Ele teria sido utilizado principalmente para sepultar escravizados, mas também para pobres, indigentes, suicidas e encarcerados. Entre os possíveis mortos estão participantes da Revolta dos Búzios, da Revolução Pernambucana e da Revolta dos Malês.

Administrado inicialmente pela Câmara Municipal e, posteriormente, pela Santa Casa de Misericórdia da Bahia, o local desapareceu ao longo do tempo da paisagem urbana de Salvador. A pesquisadora acredita que a escavação no local pode trazer à tona vestígios de um capítulo da história muitas vezes apagado.

“Esse achado tem o potencial de abalar as bases coloniais e racistas dessa cidade. Porque a gente sabe que essas práticas coloniais apagam memórias e vestígios de violências e assim se perpetuam. O cemitério trata desse direito à memória, direito à verdade e ao luto. Então eu acho que o impacto vai ser enorme porque se trata de um apagamento proposital”, explicou a pesquisadora Silvana Olivieri.Play Video

MP tenta liberar escavação do local

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) tem acompanhado o andamento da pesquisa e, em 29 de janeiro, promoveu uma reunião para discutir os passos necessários à realização de uma escavação no local.

A reunião foi presidida pelo promotor de Justiça Alan Cedraz, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac), e contou com a participação de representantes da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), e da própria pesquisadora Silvana Olivieri.

O objetivo do encontro foi discutir a criação de um termo de cooperação que permita a realização das escavações no estacionamento da Pupileira. Em nota, a promotora de Justiça Cristina Seixas explicou que a reunião visou garantir que todos os envolvidos no processo de preservação do patrimônio histórico e cultural pudessem colaborar para viabilizar a pesquisa. A Santa Casa de Misericórdia tem até o dia 24 de fevereiro para decidir sobre a assinatura do termo de cooperação.

Resgate da memória

A possível localização do cemitério de escravizados também tem grande importância para o entendimento da história de Salvador e da Bahia. Para a promotora Cristina Seixas, as escavações podem confirmar a existência de um dos primeiros cemitérios públicos da cidade e do estado, além de proporcionar um resgate da memória de pessoas negras invisibilizadas pela história.

“Trata-se de um momento em que vamos resgatar a imagem e memória desse cemitério que recebeu restos mortais de muitas pessoas negras que não eram, naquela época, valorizadas, além da perspectiva dos restos mortais de pessoas que participaram da Revolta dos Malês e de outras revoltas pela liberdade dos escravos no Brasil”, destacou a promotora Cristina Seixas.

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