A anestesiologia no Tocantins passou a contar com um importante avanço na segurança e na qualidade da assistência aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). No sábado, 4, foi realizada, no Hospital Geral de Palmas (HGP), a primeira cirurgia com o uso do ecocardiograma transesofágico (ETE), tecnologia que permite a visualização do coração em tempo real durante o procedimento cirúrgico.
A implantação do equipamento foi viabilizada por um grupo de médicos anestesiologistas responsáveis pela assistência no HGP, que realizou o investimento de forma privada com o objetivo de qualificar ainda mais o cuidado prestado aos pacientes atendidos pelo SUS.
O primeiro caso envolveu um paciente do sexo masculino, de 47 anos, portador de válvula mitral mecânica prévia que apresentava disfunção, sendo necessária a substituição. Em cirurgias cardíacas, especialmente nos procedimentos de reparo ou troca valvar, o uso do ETE é considerado essencial para garantir maior segurança e precisão.
Apesar do nome técnico, trata-se de um exame com aplicação direta na prática cirúrgica. Realizado por meio de um dispositivo introduzido pelo esôfago, o ETE permite imagens detalhadas e contínuas do coração durante a cirurgia, ampliando a capacidade de monitoramento da equipe médica.
Antes da utilização dessa tecnologia, as decisões durante o ato anestésico eram baseadas principalmente em parâmetros indiretos, como pressão arterial, frequência cardíaca e oxigenação. Com o ETE, a equipe passa a visualizar o funcionamento do coração em tempo real, o que possibilita diagnósticos mais rápidos e decisões mais seguras ao longo do procedimento.
O médico anestesiologista e vice-presidente da Coopanest Tocantins, Willian Alves Rocha, destaca que a tecnologia representa um avanço importante na prática anestésica. “O ETE permite uma avaliação contínua e precisa do estado hemodinâmico do paciente durante a cirurgia. Isso traz mais segurança na condução anestésica, principalmente em procedimentos de maior complexidade, onde as decisões precisam ser rápidas e bem direcionadas”, explica.
O monitoramento em tempo real permite identificar precocemente alterações na contração cardíaca, problemas nas válvulas e até complicações mais graves, como o acúmulo de líquido ao redor do coração, possibilitando ajustes imediatos na condução anestésica.
Embora seja amplamente utilizado em cirurgias cardíacas, o ecocardiograma transesofágico também tem aplicação em procedimentos de grande porte, transplantes, traumas e situações de instabilidade clínica. Nesses cenários, contribui para esclarecer rapidamente alterações no estado do paciente, permitindo decisões mais ágeis, redução de riscos e melhores desfechos.
A incorporação da tecnologia reforça o papel estratégico da anestesiologia no centro cirúrgico. Mais do que garantir o conforto, o anestesiologista atua na manutenção do equilíbrio do organismo e na tomada de decisão ao longo de todo o procedimento. Já consolidado em centros de alta complexidade no Brasil e no exterior, o uso do ETE passa a representar também no Tocantins um avanço na segurança do paciente e na qualidade dos resultados cirúrgicos.





