O Ministério da Agricultura atendeu ao pedido das tradings de soja e alterou os procedimentos de fiscalização adotados para as cargas do grão destinadas à exportação para a China. A mudança ocorre após exportadoras relatarem que os processos de inspeção adotados estavam comprometendo os embarques do grão ao mercado chinês, maior comprador do Brasil.
A partir de agora, as amostras de soja que serão inspecionadas serão coletadas pelas empresas supervisoras de embarques (contratadas pelas tradings), e não mais pelos fiscais agropecuários do ministério. A mudança foi oficializada nesta noite de sexta-feira (13/3) pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional.
No entanto, um em cada dez embarque (10% das cargas) continuará tendo amostras coletadas pelos fiscais da Pasta. De acordo com o documento do ministério, as novas regras serão adotadas imediatamente para todos os carregamentos que ainda não tenham sido coletadas amostras para análise.
A mudança tem o objetivo de resolver uma crise entre as tradings, que relataram que as novas normas de inspeção das cargas estavam compromento as exportações de soja para a China. Apuração de Valor mostrou que, a comercialização de soja do Brasil na semana passada foi quatro vezes menor do que o volume semanal aanterior, depois que o Ministério da Agricultura mudou a fiscalização.
A Cargill, uma das maiores tradings de grãos do mundo, havia suspendido operações de exportação de soja brasileira para China bem como as compras do grão para o destino depois que o governo brasileiro alterou a forma de fazer a inspeção fitossanitária. A Cofco International e a CHS Agronegócio também relataram problemas com os embarques para o mercado chinês.
O Ministério da Agricultura havia informado que identificou espécies de plantas daninhas quarentenárias para a China, ou seja, que são ausentes lá. Com isso, a carga não atende aos requisitos fitossanitários exigidos, o que impossibilita a certificação fitossanitária para aquele destino.
Uma fonte do setor explicou que a postura mais rígida do ministério era para tentar mostrar a credibilidade do sistema sanitário brasileiro nesse ponto em específico, o controle de materiais que não sejam soja em cargas do grão enviadas à China.






