Mesmo diante de previsões de uma safra recorde de café no Brasil em 2026/27, analistas adotam cautela ao traçar um cenário para os preços. A maior disponibilidade e o enfraquecimento da demanda ainda não são suficientes para garantir a retração consistente dos valores do café na bolsa de Nova York, que serve como referência global para o mercado. Em 2025, os preços internacionais subiram 11%, segundo o Valor Data.
A StoneX projeta uma safra acima de 70 milhões de sacas, um número que, por enquanto, não garante que o café volte aos patamares recordes na bolsa observados em 2025. Em fevereiro, os contratos futuros do café atingiram, pela primeira vez, US$ 4,3890 a libra-peso.
“A confirmação dessa safra recorde pode trazer um alívio para os preços, principalmente o com o início da colheita, em junho. Mas, nesse momento, não há espaço para cair tanto, já que o café é uma cultura imprevisível, e o mercado já absorveu boa parte desse otimismo com a produção”, diz Rossetti.
Caso confirmada a expectativa de produção no Brasil para o ano que vem, ela pode ser determinante para interromper um ciclo de déficit global de café que já dura quatro anos, segundo a StoneX.
“Existe uma estimativa prévia de um pequeno superávit para 2026/27 por conta da recuperação da safra brasileira. Isso se soma a outros fatores que vimos este ano, como a produção maior do Vietnã, inflação elevada nos EUA, e queda do consumo, provocada por preços ainda em patamares elevados”, justifica Rossetti.
Além do superávit, a safra brasileira pode proporcionar a recomposição dos estoques mundiais de café, fato que também beneficiaria a redução dos preços no cenário externo. Para isso, é necessário que o Brasil colha de fato uma boa safra, lembra Laleska Moda, analista de café da Hedgepoint Global Markets.
“Uma colheita de arábica mais próxima das 49 milhões de sacas vai beneficiar muito a recuperação dos estoques. Porém, qualquer problema com o enchimento de grãos da nova safra pode atrasar essa recuperação”.
De acordo com a analista, ainda existe espaço para o preço do café ceder mais, porém, sem a confirmação da supersafra no Brasil, e ainda com muitos produtores retraídos nas vendas, essa queda pode ser postergada apenas para durante o pico da colheita no país, em julho.







