Letícia Bufoni, uma das maiores skatistas do mundo, está trilhando um novo caminho no automobilismo. Após se destacar por anos nos X Games e consolidar seu nome no skate, ela agora enfrenta os desafios das pistas na Porsche Cup Brasil.
Em entrevista exclusiva à CNN, Bufoni falou sobre seus desafios no automobilismo.
“Acho que ninguém está ali apenas para brincar, porque não é uma brincadeira. O automobilismo é um esporte técnico e exige muito dos competidores. As pessoas podem pensar que basta acelerar e virar o volante, mas há muito mais por trás disso”, disse Leticia.
“Quero inspirar mais mulheres a entrarem no automobilismo”Leticia Bufoni
Com sua chegada à Porsche Cup, Bufoni também busca incentivar mais mulheres a ingressarem no automobilismo.
“No skate, passei por essa mesma situação (do automobilismo) quando ainda quase não havia mulheres no esporte. Hoje, com minha experiência e minha trajetória, estou conseguindo trazer mais visibilidade para as mulheres no automobilismo”, disse a renomada skatista.Play Video
“Quando entrei na Porsche Cup, havia apenas uma mulher competindo, a Antonella Bassani. Agora, já temos três em diferentes categorias. Além das pilotos, há também muitas mulheres trabalhando nos bastidores como engenheiras, mecânicas e assistentes”, continuou Bufoni.
“Meu objetivo é continuar incentivando a participação feminina e mostrar que mulheres podem e devem ocupar esse espaço”, concluiu.
Outras respostas de Leticia Bufoni
Como foi esse seu primeiro ano na Porsche Cup e quais são suas expectativas para esta temporada?
Então, acabei ficando mais um ano na categoria Trophy, e minha meta principal para este ano é evoluir no esporte. Acho que ninguém está ali apenas para brincar, porque não é uma brincadeira.
As pessoas podem pensar que basta acelerar e virar o volante, mas há muito mais por trás disso. Estou aprendendo agora o quão técnico e desafiador é esse universo. Além disso, é um esporte perigoso. Se algo sai errado, as consequências podem ser graves. Por exemplo, recentemente, um piloto sofreu um acidente feio que viralizou nas redes sociais. Felizmente, ele saiu sem nenhum arranhão porque os carros são muito seguros, mas ainda assim é um risco constante. Estamos pilotando a altas velocidades, e qualquer erro pode resultar em um incidente.
Além de buscar me destacar ao máximo, meu foco está em aprimorar minha parte técnica, que vai muito além de simplesmente acelerar e virar na curva. Estou em uma fase de evolução e já consigo ser mais consistente na pista.
Quais são as diferenças entre realizar uma manobra arriscada no skate e correr a vários quilômetros por hora numa competição? Como você compara a adrenalina entre os dois esportes?
A adrenalina é completamente diferente. No skate, quando estou prestes a mandar uma manobra difícil, tenho o controle total da situação. Sei exatamente o que fazer, como cair, como ajustar meu corpo. Já no automobilismo, é tudo muito rápido, e nem sempre dá para prever o que vai acontecer. Se alguém bater em você ou se errar um ponto de frenagem, não tem muito o que fazer. O impacto e a velocidade tornam tudo mais intenso e imprevisível. Então, são adrenalinas diferentes, mas ambas me desafiam e me motivam.
Você já declarou que pretende se afastar das competições de skate. Como está lidando com essa transição?
O skate tem essa vantagem: você pode ser um skatista profissional sem necessariamente competir. Ainda existem eventos que eu gosto de participar, como os da Red Bull, e projetos de vídeo que sempre foram parte essencial da minha carreira. Então, não vou parar de andar de skate, apenas quero me afastar do circuito olímpico e das competições regulares.
Este ano faz 19 anos que eu participo dos X Games, então talvez complete 20 anos e depois encerre minha participação. Mas sempre que houver um evento que me motive, estarei lá.
Além disso, assumi um cargo importante na World Skate, como presidente do comitê de skate, e quero usar essa posição para melhorar o esporte, garantindo que as necessidades dos skatistas sejam atendidas e que o julgamento das competições seja o mais justo possível.