Embora tenha mais de dez anos de existência, os principais resultados da Fazenda Escola Lagoa do Sino foram obtidos nos últimos três anos, quando o campus deu início ao projeto “Transição Tropical”, fruto de parceria com institutos privados.
O primeiro grande aporte, de R$ 3 milhões, foi feito pela Fundação Itaúsa, e foi decisivo para mudar a escala das pesquisas que eram feitas na fazenda. Em seguida, chegaram outros R$ 500 mil, do Instituto Ibirapitanga.
De lá pra cá, o campus tem caminhado para se tornar um verdadeiro think tank da agricultura orgânica e regenerativa. O que antes era realizado em 7,5 hectares, passou a ser aplicado nos 400 hectares de área plantada, sendo 40% totalmente regenerativo e outros 60% em transição gradual.
“A gente não quer fazer experimento que nem todo mundo faz, de parcelinha”, diz Alberto Carmassi. Segundo ele, o objetivo é testar modelos de produção em escala, com condições semelhantes à encontrada no campo.
Em duas safras, a produtividade da soja plantada em sistema regenerativo passou de 35 sacas por hectare para 50 sacas — um crescimento expressivo, mas resultado ainda abaixo do registrado em sistemas convencionais, que chegam a render mais de 80 sacas.
“Temos uma produção menor, só que se levarmos em conta o custo dessa produção e o prêmio que ela ganha por ser orgânica, a gente já empata com o sistema convencional”, afirma.
Para Luis Barbieri, diretor-executivo do Instituto Folio, parceiro do projeto na Lagoa do Sino e responsável pela captação de recursos, os resultados de produtividade no campo são um ganho secundário. “Talvez o maior valor criado aqui é sobre o processo, não o resultado. O objetivo principal deste trabalho é criar soluções e ferramentas de gestão para mostrar para os produtores quais são as formas de lidar com a transição para a agricultura regenerativa”, diz.
Dentro da academia, o projeto tem sido um ponto de encontro dos cinco cursos oferecidos no campus: administração, ciências biológicas e engenharias agronômica, ambiental e de alimentos. “Essa transversalidade, essa complementaridade vai tornando o projeto mais robusto e completo”, avalia a professora e coordenadora do grupo de trabalho acadêmico, Fabiana Santos Cotrim.
Matemática, ela chegou a se questionar sobre como poderia contribuir para um projeto de base essencialmente agropecuária, mas aderiu ao perceber as conexões com a sua área de pesquisa na educação básica. Partiu dela a ideia de criar bolsas de iniciação científica para alunos do ensino médio.
“Hoje eu entendo que mesmo sem conhecimento técnico em relação à agricultura regenerativa posso contribuir com essa relação com a academia para conectar o projeto por meio de pesquisa, extensão e ensino”, afirma.
A meta é conseguir construir uma nova grade curricular voltada para uma nova agricultura, baseada em processos regenerativos. A tarefa não é simples, dado que depende de processos regulatórios junto ao Ministério da Educação, mas tem sido trabalhada internamente com a criação de cursos de extensão e disciplinas optativas.
“Estamos trabalhando novos conhecimentos e eles precisam ser compartilhados. Mas para chegar a um curso de graduação levará tempo, por isso o curso de especialização pode ser um caminho mais curto para começarmos a ter essa troca com a sociedade”, diz ela.







