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Instalação de eólicas cai 31,25% em 2024, setor vê retomada em 2027

expectativa é de que a conjuntura desfavorável perdure até 2026

por CNN
17/01/2025
em Economia
Tempo de leitura: 4 minutos
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Entre as categorias pesquisadas, o maior impacto no índice do mês veio do grupo de habitação, que teve alta de 4,34% (0,63 p.p.), impulsionado pela energia elétrica residencial, que disparou 16,33% • . REUTERS/David Moir

Entre as categorias pesquisadas, o maior impacto no índice do mês veio do grupo de habitação, que teve alta de 4,34% (0,63 p.p.), impulsionado pela energia elétrica residencial, que disparou 16,33% • . REUTERS/David Moir

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A instalação de novas usinas eólicas no Brasil somou 3,3 gigawatts (GW) de potência no ano passado, queda de 31,25% em relação ao registrado em 2023, com o setor de forte crescimento nos últimos anos sofrendo com uma crise de demanda em função da sobreoferta de energia no país nos últimos anos.

A expectativa é de que a conjuntura desfavorável perdure até 2026, avalia a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

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E que aposta em retomada do segmento a partir de 2027 com base em uma expansão mais forte da carga de energia no Brasil motivada por crescimento econômico e novos “drivers” de demanda, como as indústrias de data centers e hidrogênio verde.

Segundo dados da ABEEólica, o Brasil registrou a instalação de 76 parques eólicos no ano passado, com 3,3 GW, ante 123 novos parques em 2023, que somavam 4,8 GW.

Essa desaceleração, que foi a mais expressiva desde 2018 e 2019, quando a fonte foi afetada por cancelamento de leilões regulados nos anos anteriores, reflete decisões recentes empresariais de reduzir lançamento de novos projetos, afirmou a presidente da entidade, Elbia Gannoum.Play Video

“O ano de 2025 continua desafiador do ponto de vista da demanda para nós.. Infraestrutura tem um ‘delay’ de dois anos. Vai perdurar ainda um cenário de crise de demanda e de redução de instalação”.

O momento ruim para a energia eólica vem após anos de fortes incentivos à expansão das energias renováveis, o que inundou o país com novos projetos em meio a um crescimento fraco da carga de energia, levando a um cenário de sobreoferta.

Custos mais elevados desestimulam novos empreendimentos do lado dos geradores, que sofrem ainda com prejuízos financeiros por cortes de geração em seus projetos operacionais.

Soma-se a isso ainda uma crise da indústria fornecedora de aerogeradores, com grandes multinacionais não só recebendo menos encomendas de máquinas, mas também enfrentando problemas com alta de custos no cenário internacional.

Com isso, a energia eólica, que hoje acumula 33,7 GW de capacidade no país, perdeu nos últimos anos o posto de segundo maior fonte da matriz elétrica nacional para a solar, que vem crescendo principalmente por meio de pequenos sistemas distribuídos.

“Mas essa é uma análise conjuntural… A partir de 2027, 2028, estamos falando de retomada da economia, redução da força de incentivos da geração distribuída (solar)… além de data centers, inteligência artificial, muitos contratos acontecendo.

O mercado de energia no Brasil vai explodir, e precisamos estar preparados para isso”, ressaltou Gannoum.

O setor eólico comemorou ainda a recente aprovação do marco regulatório para a eólica offshore, tecnologia que também apresenta amplo potencial de crescimento no Brasil.

A expectativa é de que um leilão de cessão de uso de áreas no mar possa ser realizado ainda em 2025, permitindo que as primeiras usinas no mar possam entrar em operação a partir de 2030.

Crescimento Solar

A queda das instalações eólicas contrasta com os números da solar, que ainda cresce de forma acelerada devido aos incentivos à geração distribuída, modalidade que inclui instalações de até 5 MW, como telhados e fachadas solares.

Em potência, a fonte solar adicionou na matriz elétrica brasileira 14,3 GW em 2024, conforme dados da associação Absolar, ou crescimento de 37,8% ante o ano anterior. Desse total, 8,7 GW foram de geração distribuída, e 5,7 GW, de geração centralizada, as grandes usinas que fornecem energia diretamente ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Esse crescimento da energia solar, que alcançou 52,2 GW de potência no Brasil, tem sido acompanhado de perto pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), tendo em vista as mudanças que a fonte solar provoca no perfil de carga e na própria gestão das usinas e da rede elétrica.

Um dos pontos de atenção para o ONS é a geração distribuída, que até 2029 deve superar 50 GW e se tornar a segunda maior fonte do país, conforme as projeções do operador.

Esses sistemas, conectados na rede de distribuição de energia, não são controláveis ou supervisionados em tempo real pelo ONS, desafiando o trabalho da operação do SIN.

O avanço das fontes renováveis, que contaram com pesados incentivos e subsídios nos últimos anos, levou a um recorde de expansão da matriz em 2024, com acréscimo de 10,8 GW puxado pela solar, de acordo com levantamento realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Mas as hidrelétricas ainda são a principal fonte de geração, com 109,9 GW de potência, ou 52,6% do total.

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