O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medida segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União dessa segunda-feira (12/1).
Embora o imunizante tenha eficácia comprovada, a avaliação técnica concluiu que o custo para oferta gratuita tornaria a política inviável no momento. A vacina analisada é a recombinante adjuvada, registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021.
Atualmente, ela é indicada para pessoas a partir de 50 anos e também para adultos imunocomprometidos, sendo aplicada em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas.
Custo pesa na decisão
No relatório final, a Conitec reconheceu que a vacina apresenta alta proteção contra o herpes-zóster e suas complicações, como a neuralgia pós-herpética, condição marcada por dor intensa e prolongada. No entanto, o principal obstáculo identificado foi o impacto financeiro da incorporação ao SUS.
Segundo a análise, a estratégia avaliada previa a vacinação de idosos com 80 anos ou mais e de pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos. Para atender esse público, seriam necessárias cerca de 6,5 milhões de doses ao longo de cinco anos, o que representaria o custo estimado de R$ 5,2 bilhões para o sistema público de saúde.
Mesmo considerando negociações de preço abaixo do valor praticado na rede privada, a comissão avaliou que o investimento ainda ficaria acima do limite considerado sustentável para o SUS.
Quem pode se vacinar contra herpes-zóster
Atualmente, a vacina contra herpes-zóster não é oferecida gratuitamente pelo SUS e está disponível apenas na rede privada. O esquema completo com as duas doses pode custar cerca de R$ 1,7 mil, o que limita o acesso, principalmente entre idosos e pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico.
Vale destacar que a prevenção reduz internações, sofrimento prolongado e perda de qualidade de vida. Ainda assim, o Ministério da Saúde reforçou que decisões de incorporação precisam equilibrar benefícios clínicos e capacidade orçamentária.
Na portaria publicada no Diário Oficial da União, o Ministério da Saúde afirmou que a decisão não é definitiva. O órgão informou que poderá reavaliar a incorporação da vacina caso haja redução de preços, novas evidências científicas ou mudanças no cenário econômico que tornem a estratégia viável.






