Em um cenário marcado pela expansão das tecnologias digitais e pela circulação acelerada de informações, o trabalho dos bibliotecários segue se reinventando. Entre livros, bases de dados e ferramentas de inteligência artificial, esses profissionais têm ampliado seu campo de atuação e refletido sobre os desafios contemporâneos da mediação da informação. Esse debate marcou a programação em comemoração ao Dia do Bibliotecário, celebrado em 12 de março, realizada na Universidade Federal do Tocantins (UFT).
O evento foi promovido pelo Conselho Regional de Biblioteconomia da 2ª Região, com apoio da Editora do Brasil, GEP Livraria, SM Educação e da Biblioteca Pública do Tocantins, além da parceria da UFT, que sediou e participou da organização das atividades. Realizada no período da manhã, a programação incluiu palestras, oficina e coffee break, promovendo momentos de atualização profissional, troca de experiências e fortalecimento da atuação dos bibliotecários no estado.
Entre os temas abordados esteve o uso da inteligência artificial na área. O bibliotecário Marcelo Neves Diniz, da Escola Tocantinense do SUS (Etsus/SES-TO), apresentou a palestra IA Generativa para Bibliotecários(as) e destacou que a tecnologia tem se tornado uma aliada no tratamento e na organização de grandes volumes de informação.
Segundo ele, a inteligência artificial pode auxiliar em atividades técnicas tradicionais da biblioteconomia, como catalogação, indexação e classificação. “Ela não substitui o profissional. É uma ferramenta de apoio. Com o volume de informações que chega hoje às bibliotecas, muitas vezes é humanamente impossível realizar todo o trabalho sem esse auxílio”, explicou.
A discussão sobre o papel social das bibliotecas também esteve presente na programação. A conselheira regional de biblioteconomia Lucianny Caixeta destacou que um dos desafios atuais da profissão é incentivar a leitura em meio ao avanço das tecnologias digitais. “Além de disseminar informação e apoiar a pesquisa, também temos o papel de incentivar a leitura. Hoje encontramos dificuldades nesse processo, porque o mundo digital muitas vezes distancia as pessoas dessa prática. Precisamos trabalhar em parceria com as tecnologias para aproximar os jovens das bibliotecas”, afirmou.
Para ela, encontros como esse também contribuem para valorizar a profissão e fortalecer a rede de profissionais que atuam no estado. “É um momento importante para reconhecer a importância do bibliotecário e promover a troca de experiências entre quem atua na área”, ressaltou.
A bibliotecária, documentarista e coordenadora do Sistema de Bibliotecas da UFT, Emanuele Santos, também destacou a importância da atualização constante diante das transformações tecnológicas.
“Hoje o principal desafio é estarmos em constante atualização. Nesse mundo digital, precisamos acompanhar as mudanças tecnológicas. Os livros sempre vão existir, mesmo que mudem de suporte, como no caso dos e-books, e sempre será necessário o trabalho do bibliotecário no cuidado, no tratamento e na disseminação da informação”, explicou.
Segundo ela, o encontro também representa um momento de reflexão sobre a relevância social da profissão. “É uma oportunidade de parar um pouco as atividades do dia a dia e refletir sobre o que estamos fazendo na sociedade. O bibliotecário não atua apenas em bibliotecas, mas também em centros de documentação, arquivos e museus. Onde há informação, há espaço para o nosso trabalho”, destacou.
A programação também contou com as palestras “Acervos Antirracistas e Políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais”, ministrada por Deyze dos Anjos, e “Bibliotecas Públicas Tocantinenses como Espaços de Memória”, apresentada por Núbia Nogueira do Nascimento, ampliando o debate sobre o papel das bibliotecas na preservação da memória, na promoção da diversidade e no acesso ao conhecimento.






