O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta terça-feira (10/2) o primeiro resultado da inflação mensal de 2026. A publicação do índice apurado para janeiro será a primeira no ano eleitoral, que tem entre os destaques a te, em caso de reeleição. O mercado, majoritariamente, projeta um índice na casa dos 0,30%.
O que é IPCA
- O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
- Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
- O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
- O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
O Banco Daycoval considera que o índice deve ser de 0,31%, levando em conta uma deflação em serviços, puxada pelo preço das passagens aéreas.
O relatório “Por dentro do Cenário”, do Itaú, sinaliza que o índice deve ter um valor superior ao do previsto pelo Daycoval. Para o banco, o índice aguardado é de 0,33%.Play Video
A aposta de 0,33% para a inflação de janeiro do Itaú, é a mesma da XP Investimentos. A empresa de investimentos avalia que os preços da energia a menor serão mais do que compensados pela alta do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre combustíveis.
Os combustíveis, por sua vez, também terão o impacto, da redução no preço da gasolina anunciado pela Petrobras em 5,2% no último dia 27.
Acompanhamento do índice
A chamada prévia da inflação, o IPCA-15, ficou em 0,20% em janeiro. Os preços que formam o índice foram medidos de 13 de dezembro a 14 de janeiro de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 14 de novembro a 12 de dezembro de 2025 (base).
Além do período diferente, a abrangência territorial de coleta de preços também é menor para o IPCA-15 ante o IPCA.
As projeções de mercado para o resultado anual da inflação têm sido reduzidas nas últimas cinco semanas. O Boletim Focus, levantado pelo Banco Central (BC) por meio de consulta com analistas de mercado considera que o índice vai fechar o ano em 3,97%.
No caso da XP, por exemplo, o relatório da última sexta-feira considera que o índice vai fechar o ano em 3,8% e não mais nos 4% da previsão anterior. O Ministério da Fazenda prevê que o IPCA fique em 3,6% em 2026. Em 2025, o índice fechou 4,26%, com a apuração do resultado de dezembro de 2025: 0,33%.
Em 2026, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual (com piso de 1,5% e teto de 4,5%). Se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
A inflação acima do centro da meta faz com que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa básica de juros, a Selic, em patamares mais elevados ou, pelo menos, demore a reduzir o índice.
Atualmente, a taxa está em 15%, o que é uma espécie de freio ao consumo para que o controle sobre a busca por produtos leve a inflação para baixo. O Copom já sinalizou redução em março.
Importância na urna
Embora importantes, os números da economia não são mais a primeira preocupação dos brasileiros, desde abril de 2025, conforme pesquisas da Genial/Quaest Investimentos. A segurança pública assumiu o posto.
Neste contexto de segunda preocupação da população, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na sexta que a economia organizada é importante em um processo eleitoral, no entanto, não garante vitória.
“Economia é condição necessária, mas, no mundo de hoje, ela não é suficiente para ganhar uma eleição”, frisou o ministro lulista.
O presidente Lula tem aparecido à frente dos demais concorrentes ao Palácio do Planalto. Apesar disto, a diferença é pequena, ele empata tecnicamente em parte dos levantamentos, dentro da margem de erro, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).







