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Duas agentes de segurança foram vítimas de feminicídio em um mês

Morte de agentes de segurança no Espírito Santo e em São Paulo mostram que posição profissional não impede crimes de gênero

Metrópoles por Metrópoles
24/03/2026
em Brasil
Tempo de leitura: 5 minutos
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Em 33 dias, duas agentes de segurança pública foram vítimas de feminicídio. A farda não impediu que a comandante da Guarda Municipal de Vitória (ES), Dayse Barbosa, e a policial militar de São Paulo, Gisele Alves Santana, fossem mortas por seus companheiros.

Embora tenham ocorrido em estados e circunstâncias diferentes, os casos têm semelhanças: as investigações indicam que os crimes aconteceram em relacionamentos marcados por ciúmes e comportamentos controladores por parte dos suspeitos.

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Na madrugada dessa segunda-feira (23/3), a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi assassinada a tiros pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. O crime ocorreu na casa onde ela morava, na capital capixaba. Em seguida, o autor tirou a própria vida.

A vítima foi atingida por cinco disparos na cabeça enquanto dormia, e o caso é tratado como feminicídio. Segundo as investigações, o PRF não aceitava o fim do relacionamento e era descrito como um homem “ciumento” e “controlador”.

Primeira mulher a ocupar o cargo de comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse era reconhecida pela atuação na defesa dos direitos da mulher e na promoção da segurança pública.


Dados sobre feminicídio

  • Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em 8 de março, mostram que o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década, com 1.568 vítimas – alta de 4,7% em relação a 2024.
  • Desde 2015, quando o crime foi tipificado, ao menos 13.703 mulheres foram mortas nessa condição.
  • A série histórica indica crescimento contínuo dos casos, com aumento acumulado de 14,5% nos últimos cinco anos.
  • O levantamento aponta ainda que o feminicídio representa parcela crescente dos homicídios dolosos de mulheres, refletindo maior reconhecimento do crime, mas também a persistência da violência.

Em São Paulo, Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, em 18 de fevereiro. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

Mensagens obtidas pela Corregedoria da PM indicam que a vítima relatou agressões físicas a uma amiga dias antes de morrer e demonstrava medo do comportamento do oficial, descrito como abusivo e violento.

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, versão apresentada pelo tenente-coronel, mas passou a ser investigado como feminicídio com o avanço das apurações.

“A violência não começa no disparo”

Para a delegada Raffaella Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher no Espírito Santo, o assassinato da comandante da Guarda Municipal ajuda a ilustrar um padrão recorrente nos casos de feminicídio.

Embora a declaração tenha sido feita a partir da investigação em Vitória, o tipo de dinâmica descrita pela delegada também aparece em outras ocorrências, como no episódio que envolve Gisele.

“O caso é tão emblemático porque mostra que não é sobre quem é a vítima – uma mulher forte, uma autoridade – mas sim que a violência de gênero é sobre quem é o homem. É sobre ela não querer mais aquele relacionamento e ele falar ‘não, você é minha e agora vai pagar até mesmo com a sua vida, porque, a partir do momento que eu te enxergo como meu objeto, você é um instrumento da minha dominação’. E aí ceifar a vida dela”, afirmou.

A delegada acrescenta que a violência costuma começar antes do crime: “Mas isso também é importante para que outras mulheres percebam que a violência não começa no momento do disparo. A violência começa antes, no primeiro controle, quando ele diz: ‘essa roupa não é adequada’ ou ‘você não vai conversar com fulano’. É preciso entender que reconhecer esses sinais e buscar ajuda não é um ato de fraqueza, mas de coragem.”


Denuncie!

  • Em caso de emergência, quando as agressões estão acontecendo naquele momento, a vítima ou qualquer pessoa pode denunciar pelo canal telefônico da Polícia Militar, o 190.
  • Ligue 180 – Central de atendimento à mulher, canal oficial do governo federal para acolhimento, orientação e registro de denúncias, destinado às mulheres em situação de violência. Gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo feriados. O serviço realiza atendimento em quatro línguas (português, inglês, espanhol e Libras) e também pode ser acionado por WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180.
  • Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher ou a Delegacia mais próxima. É preciso levar documentos pessoais à delegacia e informar caso haja testemunhas da denúncia. Toda e qualquer prova e registro das agressões pode auxiliar na investigação do caso e punição do agressor.
  • Caso a vítima não queira procurar a polícia ou esteja insegura em fazer a denúncia, poderá procurar os serviços de orientação jurídica e/ou psicológica, como os Centros Especializados de Atendimento à Mulher ou de Assistência Social.
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