Um policial militar cometeu erros de português ao escrever duas palavras em uma lousa no primeiro dia de funcionamento do modelo cívico-militar na Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra, em Caçapava, no interior de São Paulo, nesta segunda-feira (2/2).
O que aconteceu?
- O PM e outro agente faziam uma explicação sobre os movimentos clássicos de ordem dos militares, como sentido e continência, quando o episódio aconteceu.
- Enquanto o segundo agente falava com os estudantes, o primeiro foi à lousa para escrever o nome dos movimentos.
- Foi quando o policial escreveu “descançar”, ao invés de “descansar”, e “continêcia” no lugar de “continência”.
- A imagem foi flagrada por uma equipe de filmagem da TV Vanguarda, que acompanhava o início do modelo cívico-militar na escola.
- Na cena, uma pessoa ao lado da porta parece alertar ao policial sobre os erros. Ele, então, corrige primeiro apenas a palavra “descansar”.
- Depois de ser chamado novamente, o agente reescreve “continência”, agora com o N.
Os policiais que aparecem nas imagens atuam como monitores na escola e passaram por um processo seletivo para serem contratados. Como já mostrou o Metrópoles, entre as funções dos agentes estão a responsabilidade de oferecer atividades extracurriculares sobre temas como os Três Poderes.
A lei que criou o programa cívico-militar na rede estadual de ensino prevê que os agentes recebam cerca de R$ 6 mil para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. O valor é superior ao piso pago aos professores no estado.
O episódio com os erros de português já tem sido utilizado pela oposição para criticar a implantação do modelo. A deputada estadual Mônica Seixas (PSol) publicou o vídeo do caso e disse que seguirá lutando por uma educação “livre e emancipadora”.
O Metrópoles questionou a Secretaria da Educação sobre o episódio e espera o retorno. Em nota à TV Vanguarda, a pasta disse que “todo o conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado pelos docentes da escola e, neste início de implementação, os monitores estão passando orientações sobre as atividades de disciplina e promoção de valores cívicos”.
Segundo a pasta, os monitores do Programa Escola Cívico-Militar serão submetidos a processos semestrais de avaliação de desempenho para verificar adaptação e permanência em cada unidade escolar.
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) defende o modelo cívico-militar como forma de melhorar a qualidade de ensino. Na prática, no entanto, especialistas em educação dizem que não há estudos que comprovem que a militarização tem efeitos sobre a melhoria da aprendizagem.






