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Copom decide juros nesta quarta (11), na última reunião com Campos Neto à frente do BC

Mercado vê aceleração na alta da Selic; agentes econômicos se dividem entre alta entre 0,75 e 1 ponto

CNN por CNN
11/12/2024
em Economia
Tempo de leitura: 6 minutos
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Sede do Banco Central em Brasília • 22/03/2022REUTERS/Adriano Machado

Sede do Banco Central em Brasília • 22/03/2022REUTERS/Adriano Machado

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O Comitê de Política Monetária (Copom) encerra nesta quarta-feira (11) sua última reunião deste ano. A partir das 18h30, será anunciado o patamar em que deve fechar o ano a Selic, a taxa básica dos juros do país, atualmente em 11,25% ao ano.

Esta também será a última reunião de Roberto Campos Neto na presidência da autarquia.

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A partir de janeiro, o comando passará a Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária e o primeiro presidente do BC indicado pelo terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Também integrarão o Copom três novos diretores indicados pelo governo petista, aprovados pelo Senado nesta terça-feira (10).

O boletim Focus publicado na segunda-feira (9) apontou que a mediana do mercado vê os diretores do Banco Central (BC) colocando o pé no acelerador, subindo os juros em 0,75 ponto percentual, levando-os a 12% ao ano.Play Video

Caso se confirme, será a terceira vez seguida que o colegiado acelera o ritmo de aperto dos juros.

O atual ciclo de alta foi deflagrado pelo BC em setembro, com alta de 0,25 ponto, elevando a taxa a 10,75%.

Em novembro, o ritmo escalou para avanço de 0,5 ponto, trazendo a taxa básica ao atual patamar de 11,25%.

Para Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Rena, a aceleração é praticamente certa, uma vez que a manutenção do ritmo de 0,5 ponto “seria muito mal-recebida pelo mercado”, pressionando ainda mais o câmbio, expectativas de inflação, curva de juros e as inflações implícitas.

“Em síntese, [a decisão por manter o ritmo de 0,5 p.p.] seria vista como um sinal de leniência e minaria os esforços da nova diretoria do BC de conquistar credibilidade”, afirma Goldenstein.

Segundo o estrategista da Warren, a aceleração no ritmo do aperto monetário seria justificada pela piora do balanço de riscos no período recente. Porém, avalia-se que seria mais danoso à imagem do colegiado uma divisão neste momento.

A última vez que um racha ocorreu, na decisão de juros de maio, o mercado passou a especular negativamente sobre o futuro da autarquia, temendo a influência que o governo poderia ter em um Copom composto apenas por seus indicados.

O economista-chefe do Citi, Leonardo Porto, também aponta que o mercado está esperando aceleração no ritmo de alta. Porém, o especialista pontua que a definição da taxa nesta quarta abre margem para expectativas dos próximos passos.

“A preferência é por 0,75 ponto, porque o BC acelera o ritmo não só para essa reunião, mas também sinaliza para a seguinte”, explica.

“Ambas [0,75 ou 1 ponto] são compatíveis com a situação de hoje, mas o BC também ter cautela quando dar um choque de juros”.

O que está por trás da aceleração dos juros?

Entre os fatores que mais pesam estão o pacote fiscal anunciado pelo governo ao final de novembro e a subsequente desvalorização do câmbio.

O dólar à vista encerrou os negócios de terça-feira (10) em baixa de 0,57%, a R$ 6,047 na venda, após renovar recorde na véspera.

Em nota, Goldenstein pontuou que, desde o último Copom, em novembro, a assimetria altista do balanço de riscos se materializou, e o pessimismo do mercado com a responsabilidade fiscal do governo se deteriorou.

“O esperado anúncio do pacote fiscal poderia representar um ponto de inflexão, mas acabou gerando o efeito contrário, afetando negativamente os ativos domésticos”, escreveu.

Além de as medidas terem sido apontadas como insuficientes para estabilizar a dívida pública, a avaliação é de que o governo errou ao anunciar uma medida de renúncia fiscal — a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil — em paralelo ao pacote de contenção.

Desse modo, em seu relatório pré-reunião do BC, a XP aponta que os diretores devem tomar sua decisão buscando retomar as rédeas dessas expectativas.

Mas para cumprir esse objetivo, os economistas da instituição avaliam que o momento abre precedente para uma alta ainda mais firme, de 1 ponto.

“O movimento pode contribuir para estabilizar os preços dos ativos financeiros — especialmente a taxa de câmbio — e reforçar o compromisso do Copom com inflação baixa”, afirma o relatório da XP.

Porém, se adotada a postura mais dura, Goldenstein defende que o movimento deverá ser bem comunicado a fim de não soar “prematuro” e “muito agressivo”.

“De qualquer modo, não descartamos que o Comitê acelere para 1 p.p. caso prevaleça o temor de não seguir a precificação majoritária do mercado”, conclui o relatório.

Próximos passos

Os economistas da XP apontam que o Copom continuará ressaltando em seu comunicado a importância de uma “política fiscal crível” para a ancoragem das expectativas de inflação.

Em suas cinco reuniões realizadas desde maio, o BC vem ressaltando que acompanha de perto os desdobramentos da política fiscal do governo.

“Sobre os próximos passos, o comitê deve manter as opções abertas. Porém, se estivermos certos em relação à alta de 1 p.p., desta vez a autoridade monetária poderia optar por deixar claro que este ritmo já é suficientemente elevado, com o objetivo de evitar especulações em relação a movimentos ainda mais intensos em janeiro”, concluem os economistas.

A XP vê a Selic chegando em 14,25% ao final deste ciclo de alta.

Outras instituições financeiras de destaque que veem o BC subindo a Selic de 11,25% a 12,25% incluem o Itaú, BTG Pactual e Goldman Sachs.

“Embora ainda avaliemos uma probabilidade razoável (40%) de que o Banco Central aceleraria para ‘apenas 0,75 p.p.’, dados os atuais preços de mercado, o movimento provavelmente seria percebido como uma escolha conciliatória e uma oportunidade perdida de avançar na curva, o que poderia ainda mais desequilibrar o real e as expectativas de inflação”, conclui a equipe de análise do Goldman Sachs.

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