A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior do país em café, espera diminuição na exportação do grão em 2026. A companhia estima embarcar 4,4 milhões de sacas em 2026, 400 mil a menos que o ano passado.
Para o superintendente comercial da Cooxupé Luiz Fernando dos Reis o ritmo de exportações vão melhorar no final do ano. ““As exportações devem ser um pouco menores neste primeiro semestre, em virtude da safra menos produtiva no ano passado, com a expectativa de subir na segunda metade do ano, conforme a produção da safra 2026/27 chega ao mercado”, diz.
As exportações para os Estados Unidos, maior consumidor do produto brasileiro, devem retomar o ritmo após o fim das tarifas, ainda que as exportações continuem desaceleradas. “Todos os contratos foram cumpridos, mas novos negócios não foram realizados durante o tarifaço. Nesse período, os americanos criaram estoque com cafés de outros países produtores e o maior exportador para os Estados Unidos ainda no começo desse ano segue sendo a Colômbia”, explica o superintendente.
O conflito no Oriente Médio entre Irã e Israel também pode prejudicar a exportação do café. “Temos dois impactos da guerra: a importação de fertilizantes, porque somos dependentes do nitrato vindo do Irã e, recentemente, aumentamos a participação de cafés na Ásia, especialmente na China e também em alguns países do Oriente Médio, que pode ser afetada pelas dificuldades logísticas causadas pela guerra”, conta Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé.
A mesma tendência da exportação se repete para a produção dos cooperados. A Cooxupé expediu 6,4 milhões de sacas em 2025 e espera produzir 5,8 milhões de sacas em 2026.
Ainda assim, a cooperativa mantém a projeção para safra recorde em 2026/27. “Vivemos um momento de clima muito melhor, com chuvas bem distribuídas nas regiões produtoras, que resultam numa produtividade melhor”, relata Osvaldo Bachião de Filho, vice-presidente da Cooxupé.
Quanto aos preços, a projeção é de que o grão continue rentável para os produtores diante dos estoques reduzidos globalmente. “Apesar da expectativa de uma safra recorde que vai pressionar os preços, não há grandes estoques formados em lugar nenhum, contendo baixas mais expressivas nas cotações”, indica Luiz Fernando dos Reis.







