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Home Saúde

Consumir açúcar pode ajudar ou atrapalhar a saúde mental? Entenda

Metrópoles por Metrópoles
19/01/2026
em Saúde
Tempo de leitura: 5 minutos
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Açúcar Foto: Freepik

Açúcar Foto: Freepik

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Ainda que existam muitas pesquisas mostrando que o exagero no açúcar está atrelado a uma lista de males que incluem desde cárie até obesidade, passando por maior risco de danos cardiovasculares, depressão e ansiedade, a nutrição moderna não indica a exclusão do ingrediente, exceto em casos de comorbidades, como o diabetes. Dentro de um contexto saudável, ele pode até ser benéfico.

É o que sugere um estudo publicado no periódico científico The Journal of nutrition, health and aging. Segundo a pesquisa, o consumo moderado de açúcar pode ter efeitos positivos na saúde mental, sobretudo em pessoas com sobrepeso. O excesso, porém, tem impacto negativo no cérebro, de acordo com o mesmo trabalho.

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Os pesquisadores utilizaram dados de quase 170 mil adultos do UK Biobank, pesquisa britânica que avalia condições de saúde de meio milhão de voluntários no Reino Unido. “O artigo destaca a importância do equilíbrio no cardápio”, comenta a nutricionista Lara Natacci, que investigou o elo entre alimentação e saúde mental para seu doutorado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Esse novo estudo reforça a necessidade de combater radicalismos à mesa.Play Video

No entanto, apesar de ser um trabalho com grande número de participantes, mais de 10 anos de segmento, diagnósticos validados por registros clínicos e modelos estatísticos robustos, trata-se de um estudo observacional. “Significa que não mostra a causalidade”, explica Natacci.

Inclusive, os autores mencionam limitações, como o fato de que foram os próprios participantes que responderam aos questionários. “Isso pode levar a confusão nos resultados”, destaca a nutricionista Bruna Aparecida Farias, do Einstein Hospital Israelita.

Ainda assim o artigo ajuda a levantar hipóteses. Em relação à saúde mental, por exemplo, o texto cita indícios de que o açúcar poderia ativar regiões cerebrais relacionadas ao alívio de tensões. Faz sentido, até porque as fontes de carboidrato garantem energia. Sabe-se que o principal combustível do cérebro é a glicose. Assim, diante da escassez, a irritabilidade e a fadiga tendem a surgir.

Já quanto ao elo entre o exagero no consumo de doces e o aumento do risco de depressão e ansiedade, há diversos mecanismos envolvidos. Pesquisas mostram que a ingestão excessiva e a exposição crônica ao açúcar favorecem respostas inflamatórias e o aumento do estresse oxidativo.

“Isso pode interferir com a função dos neurônios, acelerar declínio cognitivo, trazendo maior vulnerabilidade para transtornos mentais”, detalha Natacci. Outro efeito são desajustes na produção de neurotransmissores do bem-estar, caso da dopamina.

Sem contar que as dietas carregadas de açúcar interferem com a microbiota intestinal, e já existem muitos indícios de que o desequilíbrio entre os micro-organismos que habitam o intestino colabora para alterações no humor.

Para blindar a saúde mental, o melhor é rechear a dieta com fontes de nutrientes neuroprotetores, ou seja, frutas, hortaliças, castanhas, pescados, grãos integrais. “Um cardápio parecido com o padrão mediterrâneo”, sugere a pesquisadora da USP. E, claro, vale moderar nas doses açucaradas no dia a dia.

Que tal reduzir?

Por questões culturais, o brasileiro excede nos doces. Historiadores relatam que a preferência pode ter relação com a fartura de cana-de-açúcar dos tempos coloniais, bem como com a influência gastronômica dos portugueses e da sua doçaria. Por aqui, a ingestão diária é de cerca de 80 gramas (ou 18 colheres de chá), segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que o consumo por dia não ultrapasse 10% das calorias do ingrediente, ou seja, em uma dieta de 2.000 calorias/dia, o limite deveria ser de, no máximo, 50 gramas (12 colheres de chá), especialmente de fontes de sacarose.

Para comer menos, o primeiro passo é economizar nas colheradas das preparações culinárias. “Usar especiarias, como canela e cravo, ajuda a diminuir a quantidade de açúcar e ainda acrescenta sabor e aroma às receitas”, indica a nutricionista do Einstein. Vale também reeducar o paladar, tentando, por exemplo, tomar sucos, chás e café sem adoçar. A dica é ir aos poucos, até conseguir excluir completamente.

Outra sugestão é atentar-se aos industrializados. E agora, com a nova norma para os rótulos, que traz a lupa com o aviso de “alto para açúcar adicionado”, a tarefa está mais fácil. Por fim, não custa lembrar, o importante é considerar todo o contexto da sua dieta. “O problema não é um ingrediente isolado, mas o estilo de vida e o padrão alimentar”, reforça Natacci.

Tipos de açúcar

Existem diversos tipos de açúcar, e eles estão por toda parte. “Açúcar é a designação para toda uma família de carboidratos simples, ou seja, que reúne um número menor de moléculas de glicose”, explica a nutricionista do Einstein. Conheça alguns exemplos:

Sacarose

A fonte mais famosa é aquela em pó, que enche o açucareiro. O refinado, o mascavo, o cristal e o demerara são algumas versões. Na linguagem dos químicos, trata-se da junção das moléculas de glicose e frutose.

Frutose

Naturalmente é encontrada nas frutas, em algumas hortaliças e no mel. Mas tem sido usada na indústria para adoçar refrigerantes, alguns cereais matinais, bolinhos, entre outros.

Lactose

Eis o açúcar do leite, que tem como fonte os mamíferos. Está por trás de casos de intolerância, que provocam gases, estufamento e demais desconfortos.

Glicose

Aparece em produtos usados na culinária, em uma consistência idêntica à do mel. Também é conhecida como dextrose.

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