A Secretaria de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda divulgou, nesta sexta-feira (13/3), uma revisão nas projeções para 2026. Os números foram revistos diante das consequências da guerra no Oriente Médio. A inflação teria um acréscimo de 0,1 ponto percentual e terminaria 2026 com 3,7%. Já o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantido em 2,3%.
Em fevereiro deste ano, a inflação projetada para 2026, era de 3,6%, mas com as consequências da guerra, foi revista para cima: 3,7%. Em 2025, a inflação fechou em 4,26% e o acumulado de 12 meses até fevereiro está em 3,81%.
Em relação à receita líquida do governo central — após transferências para estados e municípios —, esta pode ter aumento que varia de R$ 21,4 bilhões a até R$ 96,6 bilhões, a depender de qual dos três cenários que poderá se concretizar. O cenário de impacto mediano projeta aumento de R$ 48,3 bilhões.
As projeções da Fazenda foram realizadas considerando como principal impacto, os efeitos da guerra nos preços internacionais do petróleo. No cenário menos crítico, chamado de temporário, o barril do petróleo tipo brent – que é referência no mercado internacional – ficaria em US$ 73,1. Na manhã desta sexta, o barril do petróleo era cotado a US$ 100,11, com ligeira queda de 0,35%.
No cenário moderado, batizado de “choque persistente”, o item custaria em torno de US$ 82 e no caso de haver um “choque disruptivo”, o produto chegaria a custar US$ 100.
“Os modelos supõem que um aumento nos preços do petróleo leva à ampliação da renda gerada pela indústria extrativa. Esse aumento tende a gerar efeitos de encadeamento positivos sobre outros segmentos da indústria de transformação, como refino e produção de máquinas e equipamentos, contribuindo positivamente para o crescimento”, diz nota técnica da Fazenda.
Cenários
Choque temporário – Leva em conta os efeitos já provocados pela guerra e considera que não haveria danos mais significativos sobre as estruturas de exploração, refino e estoque de petróleo, podendo haver recuperação no “curto prazo”. Os prejuízos seriam compensados pela liberação de estoques estratégicos, ou seja, uma guerra de menor duração.
Neste caso, o preço do barril do petróleo ficaria em US$ 73,1 e haveria alta na inflação de 0,14 ponto percentual (p.p.) ao consumidor. Os pontos compensatórios para o país viriam da elevação do PIB em 0,10 p.p., aumento na balança comercial de US$ 2,5 bilhões, uma redução de 1,1% no dólar e aumento na receita líquida do governo central equivalente a R$ 21,4 bilhões.
Choque persistente – Leva em conta que o conflito poderá se estender por tempo mais significativo e que as estruturas que compõem a cadeia de petróleo no Oriente Médio teriam danos mais difíceis para reversão.
Considerando as circunstâncias deste cenário, o preço do barril do petróleo ficaria em US$ 82 e haveria alta na inflação de 0,33 p.p ao consumidor. Os pontos compensatórios para o país viriam da elevação do PIB de 0,23 ponto percentual (p.p.), aumento na balança comercial de US$ 5,1 bilhões, uma redução de 2,3% no dólar e aumento na receita líquida do governo central equivalente a R$ 48,3 bilhões.
Choque disruptivo – Considera um conflito bélico de duração mais expressiva e que implicaria, entre outros fatores, em uma reação da taxa básica de juros, a Selic, em relação à alta na inflação. Ou seja, poderia haver uma queda mais lenta nos juros ou outras medidas.
Levando em conta as circunstâncias deste cenário, o preço do barril do petróleo ficaria em US$ 100 e haveria alta na inflação de 0,58 p.p ao consumidor. Os pontos compensatórios para o país viriam da elevação do PIB de 0,36 ponto percentual (p.p.), aumento na balança comercial de US$ 10,3 bilhões, uma redução de 4,5% no dólar e aumento na receita líquida do governo central equivalente a R$ 96,6 bilhões.
Momento
As projeções da Fazenda não consideram a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel, que foi anunciada na última quinta-feira (13/3). O ministro da Fazenda considera que a medida, somada a uma subvenção a produtores tem potencial de reduzir em R$ 0,64 o preço do litro do produto nas refinarias.
O titular da SPE, Guilherme Mello, afirmou ainda que as projeções foram fechadas no último dia 5, ou seja, não contempla os desdobramentos posteriores, como as isenções sobre o diesel e o aumento de R$ 0,38 anunciado pela Petrobras que vigora a partir do sábado (14/3).
“Ela (a projeção) não capta plenamente ainda os efeitos que nós observamos na última semana, de maneira mais pronunciada”, afirmou Mello.







