Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e atual secretário especial de Assuntos Parlamentares, André Ceciliano (PT) tem dito a aliados que ainda espera reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para decidir se será candidato na possível disputa ao mandato-tampão do governo fluminense.
Em conversas recentes com políticos do Rio de Janeiro, Ceciliano afirmou que ainda não “desistiu” de concorrer na possível eleição indireta que escolherá um nome para concluir os últimos meses de mandato do governador Cláudio Castro (PL), que pode deixar o Palácio Guanabara para se candidatar ao Senado.
O lançamento de André Ceciliano na disputa, que pode ocorrer em maio, divide a direção do PT no Rio. O nome do ex-presidente da Alerj enfrenta resistências na ala liderada pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que defende uma espécie de neutralidade.Play Video
O grupo contrário ao nome de Ceciliano defende que o partido deve focar na candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio, em outubro deste ano. Para eles, uma possível vitória de Ceciliano no mandato-tampão poderia ampliar os desejos de petistas por um nome próprio na disputa ao Guanabara.
O secretário de Assuntos Parlamentares tem afirmado, segundo aliados, que a posição do diretório local do PT não deve ser levada em conta e que a decisão de Lula estaria acima dos interesses dos dirigentes fluminenses.
André Ceciliano relatou que tem mantido conversas com outros políticos e que já recebeu sinalizações de que pode contar com apoio até mesmo de parlamentares de oposição.
Pelas regras eleitorais, se quiser disputar uma vaga ao Senado, Cláudio Castro terá de renunciar ao cargo até abril deste ano. O governador fluminense não tem, contudo, um vice: Thiago Pampolha deixou o posto ao assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Com os dois postos vagos, a legislação prevê que os deputados estaduais do Rio de Janeiro devem escolher um nome para a conclusão do mandato — processo chamado de eleição indireta.
O processo de escolha para o mandato-tampão não tem regras definidas no Rio. A Alerj deve começar a discutir o tema nesta quarta-feira (11/2).
Ceciliano defendeu a aliados que o processo de votação para o mandato-tampão ocorresse de forma secreta — sem registro público de votos. Para ele, segundo aliados, isso ampliaria o estoque de votos em uma eventual disputa.
A disputa pelo mandato-tampão no Rio
- Atual governador do Rio, Cláudio Castro tem sinalizado que deve renunciar até abril para disputar vaga ao Senado.
- O vice-governador eleito com Castro, em 2022, renunciou ao posto para assumir cadeira no Tribunal de Contas do estado.
- A legislação prevê que, na ausência do governador e do vice, deputados estaduais têm de escolher nova gestão.
- Segundo aliados, Castro tem sinalizado que deve apoiar um nome do próprio gabinete.
- O PL deve bater o martelo após o Carnaval.
- Alas do PT divergem entre lançar candidatura própria e escolher o “menos pior”.
CCJ começa discussão
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj deve iniciar as discussões sobre o regramento das eleições indiretas nesta quarta. O projeto terá o presidente do colegiado, Rodrigo Amorim (União-RJ), como relator.
Segundo ele, a expectativa é de que a análise da proposta seja votada ainda nesta quarta-feira pelos membros da comissão.
O texto final proposto por Amorim ainda não foi divulgado aos parlamentares. No entanto, o deputado adiantou ao Metrópoles que deve sugerir que a votação para o mandato-tampão ocorra de forma aberta — ou seja, com registro público dos votos.
O projeto original, do deputado estadual Luiz Paulo (PSD-RJ), estabelecia, entre outras temas, que a votação deveria ser secreta.







