O tempo de socorro é um dos fatores determinantes para a sobrevivência após um infarto. Quanto mais rápido o paciente recebe atendimento médico, maiores são as chances de evitar danos permanentes ao coração.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que o atendimento nas primeiras duas horas após o início dos sintomas pode elevar a chance de sobrevivência para algo entre 80% e 90%.
Segundo o cardiologista Luiz Antônio Machado César, diretor da Unidade de Coronariopatia Crônica do InCor, em São Paulo, a rapidez no atendimento reduz significativamente o impacto do evento na vida do paciente. Quando o tratamento é iniciado cedo, o dano ao funcionamento do coração pode ser mínimo e o indivíduo tende a ter menos limitações depois do episódio.
Por que cada minuto faz diferença
O infarto ocorre quando uma artéria coronária fica obstruída e impede a chegada de sangue ao músculo cardíaco. Sem oxigênio, as células do coração começam a morrer.
De acordo com a cardiologista Deborah Fernandes, que atende na Clínica Maxicor, em Brasília, o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento é decisivo para preservar o músculo cardíaco.
Na cardiologia, existe uma expressão bastante usada: “Tempo é músculo”. Quanto mais rápido o atendimento, maior a quantidade de tecido cardíaco que pode ser preservada.
A especialista explica que o ideal é que o paciente receba atendimento preferencialmente nas primeiras duas horas após o início dos sintomas. Quanto mais cedo a artéria entupida é reaberta, menores são os danos ao coração e melhores são as chances de recuperação.
Sintomas de infarto
- Dor no peito em aperto ou pressão.
- Irradiação para braço esquerdo, mandíbula, costas ou ombro.
- Falta de ar (dispneia).
- Sudorese intensa.
- Náuseas e vômitos.
- Palidez ou pele arroxeada.
- Tontura, turvação visual ou sensação de desmaio.
- Cansaço extremo súbito.
Quando o socorro demora, o dano aumenta
Quando o tempo de socorro é prolongado, a área do coração afetada tende a ser maior. Isso ocorre porque o músculo cardíaco permanece sem oxigênio por mais tempo.
Em casos de dano extenso, a parte do músculo que morreu pode ser substituída por tecido cicatricial. A região perde a capacidade de se contrair, obrigando o restante do coração a se adaptar para manter o bombeamento de sangue.
Esse processo, conhecido como remodelamento cardíaco, pode reduzir a capacidade de bombeamento e aumentar o risco de complicações como insuficiência cardíaca, arritmias e até morte súbita.
Na prática, o paciente pode passar a sentir mais cansaço em atividades cotidianas, como caminhar, subir escadas ou realizar tarefas que exigem esforço físico.
Rapidez também influencia o tratamento
O tempo de socorro também pode determinar qual tratamento será realizado. Hoje, o procedimento mais indicado é a angioplastia primária, feita por meio de cateterismo para desobstruir a artéria.
Durante o procedimento, um cateter é introduzido até o vaso bloqueado e pode ser colocado um stent para restabelecer o fluxo de sangue ao coração.
Quando o paciente não consegue chegar rapidamente a um hospital que realiza esse procedimento, outra alternativa é o uso de medicamentos trombolíticos, que ajudam a dissolver o coágulo responsável pela obstrução.
Sintomas ainda são subestimados
Um dos principais motivos para o atraso no atendimento é a dificuldade de reconhecer os sinais do infarto.
Muitas pessoas interpretam os sintomas como problemas digestivos, ansiedade ou dor muscular e acabam esperando que o desconforto passe. Entre os sinais mais comuns estão dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náuseas e dor que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas.
Em mulheres e idosos, os sintomas podem ser mais discretos, o que aumenta o risco de demora no diagnóstico.
Por isso, especialistas reforçam que qualquer suspeita deve ser tratada como emergência. Procurar atendimento imediato continua sendo a forma mais eficaz de reduzir os danos causados pelo infarto.






