Ao lançar sua pré-candidatura à presidência da República nessa segunda-feira (30/3), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), adotou um discurso que combina críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratégia indica uma tentativa de ocupar espaço na direita e disputar diretamente o eleitorado ligado ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que busca atrair eleitores de centro.
Durante coletiva na sede do PSD, em São Paulo, Caiado reforçou o posicionamento de oposição ao PT, mas afirmou que o principal desafio não seria derrotar o partido nas urnas.
“Ganhar a eleição do PT é fácil. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país”, declarou, em referência à derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.
Ao mesmo tempo, o governador direcionou críticas à possível candidatura de Flávio Bolsonaro, questionando sua experiência administrativa. Sem citar apenas a disputa eleitoral, Caiado destacou a importância de vivência política e capacidade de articulação institucional.
“Não se aprende a governar sentado na cadeira de Presidência da República”, afirmou, ao mencionar a relação com Congresso, Supremo e governos estaduais como parte essencial da experiência.
Disputa pelo eleitorado de direita
A entrada de Caiado na corrida presidencial é vista dentro do PSD como um movimento para ocupar um espaço considerado aberto na direita. A avaliação da direção do partido é que há um eleitorado conservador dividido e potencialmente receptivo a novos nomes fora da polarização mais intensa.
Nesse cenário, Caiado busca se apresentar como uma alternativa com perfil mais tradicional, com ênfase em gestão e segurança pública. O objetivo é atrair tanto eleitores identificados com pautas conservadoras quanto aqueles que demonstram desgaste com o confronto direto entre PT e bolsonarismo.
Como aceno a esse segmento, o governador defendeu a concessão de anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A posição é sensível dentro do campo bolsonarista e reforça a tentativa de aproximação, apesar das críticas dirigidas a Flávio Bolsonaro.
Movimentação interna no PSD
A definição de Caiado como pré-candidato ocorreu após disputa interna no PSD. Inclusive, essa é a primeira vez que a sigla tem um cabeça de chapa na disputa pela presidência da República. O governador foi favorecido pela desistência de Ratinho Jr., que vinha sendo apontado como favorito do partido nas pesquisas, e superou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
A escolha provocou reações distintas dentro da legenda. Ratinho Jr. declarou apoio ao nome de Caiado, enquanto Eduardo Leite manifestou insatisfação com a condução do processo e não descartou reavaliar seu posicionamento político.
Apesar de adotar pautas associadas à direita, Caiado afirmou que pretende se posicionar fora da polarização entre PT e bolsonarismo. Ele rejeitou a classificação de “terceira via” e defendeu que sua candidatura representa uma alternativa independente.
A declaração ocorre após o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que o cenário ideal seria o apoio do PSD a Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Em resposta, Caiado disse que esse tipo de alinhamento automático perdeu força e que o momento político exige debate.






