Reduções de custo, consolidação de operações globais e ganhos de produtividade devem permitir que a Bunge, em 2028, ultrapasse os US$ 250 milhões em sinergias após a aquisição da Viterra projetados inicialmente pela companhia, de acordo com dados apresentados pela Bunge nesta terça-feira (10/3) durante evento com analistas. A companhia avalia que as sinergias ficarão, mais provavelmente, ao redor de US$ 350 milhões.
Até dezembro, seis meses após a conclusão do negócio, a empresa já havia contabilizado US$ 119 milhões em sinergias, conforme a empresa. Para 2026, a Bunge prevê que as sinergias alcancem US$ 190 milhões.
Durante o evento com investidores, o diretor de operações da Bunge (COO), Julio Garros, destacou como ativos da Viterra incorporados com a aquisição da empresa ampliam as alternativas de originação e de processamento da companhia, favorecem a arbitragem de preços e devem contribuir para que empresa atinja os ganhos projetados para os próximos anos.
“Após a combinação de negócios com a Viterra, nós completamos nossa presença em originação em cada grande região produtora do mundo. Temos a maior presença de originação do planeta”, afirmou Garros.
Na América do Sul, de acordo com o executivo, a Bunge movimenta mais de 70 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas, de um total de 180 milhões de toneladas originadas em todo o mundo. “Nenhuma outra empresa de agronegócio tem essa presença junto aos produtores”, disse Garros. A empresa também passou a controlar mais de 20% do processamento de óleo do mundo, quando excluída a China, com plantas integradas à originação, refino e distribuição.
Garros reforçou a relevância da originação direta, ou seja, da compra de grãos diretamente de produtores rurais e não de intermediários, para assegurar a qualidade dos grãos e derivados produzidos pela companhia e assim, obter margens maiores. Hoje, a companhia origina diretamente, em média, 55% de todos os grãos que movimenta. O objetivo é elevar o porcentual para 65% nos próximos anos.
A companhia também vem reforçando investimentos na produção de concentrados de proteína de soja, ciente da demanda global crescente por proteína. Segundo Garros, a empresa está investindo na maior planta do produto no mundo para aplicação em alimentos no estado de Indiana, nos Estados Unidos.
Durante o evento, o diretor financeiro da Bunge, John Neppl, detalhou premissas que levam a companhia a considerar ganhos por ação de US$ 15 até o fim de 2030. Segundo o executivo, entre os fatores estão as margens de processamento de soja e de refino esperadas para o período, em virtude do cenário favorável para o mercado de óleos vegetais, maiores margens no processamento de soft seeds, além de custos compensados por maior produtividade. A empresa também considera investimentos em crescimento e aumento de produtividade de US$ 300 milhões a US$ 400 milhões, além de eventuais e aquisições.






