O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26/3) que ao menos 100 milhões de brasileiros estão sujeitos a juros do cartão de crédito rotativo. Dados da autoridade monetária revelam que os juros variam de 45,5% a até 1.216,55% ao ano. Esta taxa se aplica em casos de inadimplência.
Galípolo detalhou que dos mais de 100 milhões de possuem cartão de crédito, embora estejam sujeitos aos juros além dos 1.200% ao ano, nem todos pagam esta tarifa.
“Quando você vai no mercado ou em qualquer lugar, e paga com seu cartão de crédito, e diz que está pagando a vista, como [o dono do estabelecimento] vai receber em um prazo mais elástico, aquilo vai entrar em crédito. Então, tem um pedaço desse cartão de crédito que entra como crédito, mas não é uma operação de crédito para você. Você não está pagando juros”, pontuou Galípolo.
Galípolo reforçou, por outro lado, que o crédito rotativo dos cartões é parte importante da inadimplência, que é recorde no Brasil. Os juros que chegam até os 1.216,55%% ao ano são do rotativo, ou seja, quando o dono do cartão não consegue pagar a fatura em dia.
“A maior parte da inadimplência está relacionada com o cartão de crédito e com o rotativo”, afirmou.
A fala de Galípolo ocorreu na sede do Banco Central durante entrevista coletiva que também contou com a participação do diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta segunda.
- O RPM reúne as decisões de política monetária adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), bem como o desempenho da nova sistemática da meta inflacionária, as considerações sobre a evolução do cenário econômico e as projeções para a inflação.
O endividamento tem subido nos últimos anos. A Serasa contabilizou 81,7 milhões de endividados neste mês.
Lula na pauta
O assunto do endividamento das famílias virou pauta do presidente a República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que diz buscar uma solução para esta questão.
“Nós estamos tentando encontrar uma saída para ver se a gente diminui, sabe, a angústia da sociedade. Para ver se a gente consegue melhorar essencialmente. Para ver se a gente consegue fazer com que as pessoas se sintam aliviadas. Não é uma tarefa fácil”, disse Lula nesta quinta, em Anápolis.
No Banco Central, Galípolo negou uma possível intervenção do BC nos juros praticados pelas instituições financeiras, mas admitiu preocupação com o tema.
“A dimensão que o BC está analisando, é uma discussão estrutural sobre como que você está o tempo todo produzindo normas e arranjos que são mais saudáveis do ponto de vista do consumo de crédito”, explicou.







