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BC deve manter juros em 10,5% até 2025, diz Inter, apesar de ver queda mais lenta da inflação

Instituição ainda vê economia mais forte no segundo trimestre e PIB de 2,5% em 2024

CNN por CNN
22/08/2024
em Economia
Tempo de leitura: 4 minutos
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BC deve manter juros em 10,5% até 2025, diz Inter, apesar de ver queda mais lenta da inflação • Reprodução

BC deve manter juros em 10,5% até 2025, diz Inter, apesar de ver queda mais lenta da inflação • Reprodução

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O Banco Central (BC) deve segurar a taxa de juros no atual patamar de 10,5% ao ano até o primeiro semestre de 2025, apontou o Inter nesta quarta-feira (21), apesar de reconhecer que o processo de desinflação será mais lento.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC volta a se reunir em setembro, com parte do mercado já enxergando possibilidade de alta da taxa básica. Para a equipe econômica do Inter, porém, a Selic deve ser mantida no atual patamar em decisão unânime do colegiado.

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O Inter pontua que o cenário se mostra mais favorável desde a última reunião do Copom, em julho, citando o recuo do câmbio, redução dos riscos externos e maior probabilidade de o Federal Reserve (Fed) iniciar o ciclo de queda dos juros nos Estados Unidos.

Por outro lado, a instituição ressalta que o risco de alta dos juros ainda é “considerável” devido aos números da inflação acima do esperado — sobretudo por preços de serviços —, e expectativa de que nível se mantenha acima da meta em 2025.

“A credibilidade da política monetária é importante nesse processo, principalmente através do comprometimento e da coesão, como bem colocado pelo BC, mas acreditamos que a manutenção da restrição atual por um prazo mais longo é melhor caminho, considerando menor volatilidade e menor custo para a economia”, citou o banco em nota.

Desinflação lenta

O Inter revisou a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2024 para 4,4%, ante previsão de 4,2%. Para o ano que vem, a instituição manteve a perspectiva de 3,8%.

Os dois cenários apresentam inflação acima da meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A revisão para cima da variação de preços deste ano foi motivada pelo aquecimento das atividades em serviços e a recente alta do dólar, que no início de agosto chegou a superar a casa de R$ 5,80.

Segundo o Inter, o processo de queda da inflação deve ser retomado em 2025, “com o fim do impulso fiscal a partir do 2º semestre em 2024 e orçamento mais equilibrado no próximo ano, ainda que com déficit estrutural próximo de 1%”.

“Por outro lado, um cenário mais benigno para a inflação, com desaceleração mais rápida dos índices de preços, poderia ocorrer com uma revisão mais significativa dos gastos fiscais, culminando no cumprimento da meta fiscal de zerar o déficit até 2025, juntamente como setor externo mais favorável”, complementou a equipe econômica em nota.

PIB mais alto em 2024

O Inter também revisou para cima a visão para o crescimento da economia brasileira no segundo trimestre e para 2024.

Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) deve apresentar avanço de 1%, contra previsão anterior de 0,4%. Já no acumulado do ano, a soma da produção de riquezas deve subir 2,5%, ante 2,1%.

Segundo o Inter, as atividades surpreenderam, positivamente em junho, com destaque para indústria e serviços.

A instituição também pontuou a aceleração do consumo das famílias, puxada pela elevação dos gastos públicos em programas de transferência de renda, e melhora do mercado de trabalho, com foco no crescimento da massa salarial.

Risco fiscal ainda preocupa

O Inter ressaltou que a deterioração do quadro fiscal e cumprimento da meta seguem sendo o principal risco no cenário. Na nota, o banco pontuou que o impulso da economia está calçado a “elevado custo de deterioração fiscal”.

“Com crescimento dos gastos públicos, que deve acumular 12% acima da inflação entre 2022 e 2024, a credibilidade do arcabouço fiscal segue baixa e sustenta o maior prêmio de risco nas curvas de juros”.

O Inter prevê que o déficit primário encerre 2024 próximo de R$ 60 bilhões.

“Considerando o limite inferior da meta, as despesas que foram excluídas do cálculo e o empoçamento de final de ano, o governo deve cumprir o piso da meta que equivale a um déficit próximo de R$ 30 bilhões”, citou o banco.

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