O Banco Central decidiu nesta terça-feira (18) colocar o Banco Master em administração especial temporária por 120 dias e decretar a liquidação extrajudicial do conglomerado.
A decisão veio um dia após a Fictor Holding Financeira apresentar uma proposta de compra da instituição de Daniel Vorcaro — e pouco mais de dois meses depois de o BC ter vetado a aquisição pelo BRB (Banco de Brasília).
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada para conduzir a administração especial. Com a liquidação, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.
- 🔎 Liquidação extrajudicial é quando o Banco Central fecha um banco que não tem mais condições de funcionar. Um liquidante assume o controle, encerra as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa etapa, as operações são encerradas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
No ofício assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação do Banco Master acontece “em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”.
PF prende Daniel Vorcaro
Nesta terça, a Polícia Federal também prendeu Daniel Vorcaro na cidade de Guarulhos, durante a operação Compliance Zero, que cumpre sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
Após ser preso, ele foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.
O objetivo é combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira.
Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
São investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
Fictor anuncia compra do Banco Master
O anúncio do BC acontece após a tentativa da Fictor Holding Financeira — patrocinadora do Palmeiras — de adquirir o Banco Master. A proposta incluía um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital da instituição, que passa por dificuldades financeiras.
- ➡️A Fictor Holding Financeira é um grupo de participações e gestão de empresas, que atua nos setores de serviços financeiros, indústria alimentícia e infraestrutura.
O consórcio, liderado pela Fictor, contou com a participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação ainda estava sujeita à aprovação do Banco Central do Brasil (BC) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
BRB já tentou comprar
Além da tentativa de aquisição do Banco Master pela Fictor, o Banco de Brasília (BRB) já havia protagonizado uma tentativa frustrada de comprar a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
O BRB e o Master haviam anunciado a operação em março, mas o negócio foi barrado cinco meses depois pela diretoria colegiada do Banco Central — instância máxima do BC, composta pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e mais oito diretores.
Segundo a decisão, divulgada em setembro, os dirigentes do BC negaram a operação por entenderem que o pedido não contemplava todos os requisitos necessários, indicando a ausência de documentos que comprovassem a “viabilidade econômico-financeira”.
A aprovação pelo BC seria o último passo para a conclusão do negócio, já que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia dado o aval à operação em junho.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal também havia aprovado uma lei autorizando a compra – proposta e sancionada em tempo recorde pelo governador do DF, Ibaneis Rocha, defensor da transação.
Anunciado em março, o acordo entre os bancos previa que o BRB, uma sociedade de capital e controlada majoritariamente pelo governo do Distrito Federal, adquirisse:
- 49% das ações ordinárias
- 100% das preferenciais e
- 58% do capital total do Master.







