Mulheres organizadas em diversas frentes,realizarão na manhã do dia 8 de março, um ato político unificado do Dia Internacional das Mulheres na Feira da Aureny 1, com falas, intervenções culturais e presença de movimentos sociais, coletivos e partidos. A mobilização chega em um momento que as organizadoras consideram decisivo: o contexto eleitoral e a iminência da votação de uma lei que pode acabar com a escala 6×1.
O mote construído pelas entidades organizadoras resume as prioridades do ato: “Mulheres na política em defesa da democracia e do Bem Viver: pelo fim da escala 6×1, do feminicídio e do avanço da extrema direita.” A proposta, segundo a articulação, é priorizar o fim da escala 6×1 e firmar um pacto contra o feminicídio, mantendo a pauta do enfrentamento à violência como central, e não como assunto secundário.
Para a organização, a discussão sobre jornada de trabalho tem impacto direto na vida das mulheres, especialmente para quem enfrenta dupla jornada, trabalho precarizado e sobrecarga de cuidados. Por isso, o ato pretende aproveitar o “timing” político da discussão legislativa e pressionar para que a pauta do fim da escala 6×1 ganhe prioridade no debate público.
A escolha da Feira da Aureny 1 busca aproximar o tema do cotidiano das trabalhadoras e da comunidade. Além das falas políticas, a programação prevê intervenções culturais, reforçando a ideia de que o 8 de Março é também um dia de presença nas ruas, memória e mobilização popular.
O enfrentamento à violência de gênero é tratado como pauta inadiável. Embora dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-TO) tenham apontado uma redução percentual no primeiro semestre de 2025, a realidade das ruas ainda é de alerta máximo.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Tocantins registrou 28 feminicídios em 2024. Já em 2025, levantamentos parciais indicaram que, até o fim do ano, pelo menos 19 mulheres perderam a vida apenas por serem mulheres no estado.
“Não podemos deixar o feminicídio como pauta secundária. Enquanto uma mulher tombar no Tocantins, nossa democracia estará incompleta”, afirmam as entidades organizadoras. O movimento destaca que a maioria das vítimas são mulheres negras, o que reforça a necessidade de um olhar interseccional nas políticas públicas.
A escolha da Feira da Aureny I não foi por acaso. O objetivo é dialogar diretamente com o povo, onde a vida acontece. O ato contará com a música, poesia e performance teatrais e outras intervenções artísticas, mostrando que a cultura é uma ferramenta poderosa de resistência e conscientização.
A unidade do movimento é composta por uma frente ampla, composta pelas entidades: Marcha Mundial das Mulheres; Ajunta Preta; Coletivo Somos; BR Cidades; secretaria de mulheres e de combate ao racismo do PT Tocantins; MST; Pastoral da Juventude; Sintet; Batalhas das Minas; UPMM; MNU; Observatório Outras; PCdoB; UBM, Kizomba, Morhan Palmas, Psol, e Casa Pérolas Negras; Instituto Indígena do Tocantins, Baque Mulher e Casa Oito de Março.






