Ao contrário do que ocorreu em 2025, quando os preços pagos pelos suínos no Brasil apresentaram estabilidade, o ano de 2026 está começando com uma queda brusca nas cotações. Iniciada há cerca de três semanas, as desvalorizações no mercado independente (spot) estão perto dos 20%, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Nesta quarta-feira (29/1), o indicador Cepea/Esalq do suíno registrou, em Santa Catarina, a cotação de R$ 6,75 o quilo, um recuo de 19,16% desde o início de janeiro. No Paraná, a cotação estava em R$ 6,99 o quilo, baixa de 15,48% no mesmo período
Em algumas regiões, produtores independentes têm negociado o suíno vivo a valores muito próximos – ou até abaixo – dos observados para a produção integrada, afirma Luiz Henrique Melo, analista de mercado de proteína animal do Cepea. Historicamente, as cotações do animal no mercado independente operam acima das de produção integrada, devido aos maiores custos.
“Em Braço do Norte (SC) já verificamos valores do suíno de criador independente abaixo das cotações do sistema integrado. Essa é uma situação com ocorrência muito rara”, comenta Melo.
Segundo o analista do Cepea, a queda se deve a uma forte redução do consumo no da carne suína no mercado interno. “Depois das festas de fim de ano, com a população pagando mais contas, e somando um período de férias escolares, a ponta final (do consumidor) está travada. Mas o suíno não para de comer, o produto tem que fazer caixa, vender animais, e isso acaba forçando essas quedas bruscas”, afirma.
As baixas se refletem também no preço pago pelo consumidor. Nesta quarta-feira, no atacado da Grande São Paulo, o Cepea registrou a cotação de R$ 11,11 o quilo para a carcaça suína especial, um recuo de 13,61% desde o início de janeiro.
Conforme Melo, as quedas seriam ainda mais fortes se não fosse pela exportação de carne suína, que segue em patamares elevados. Mas um dos fatores que têm beneficiado o produto brasileiro no exterior é justamente seu baixo preço em relação aos concorrentes.
Dados compilados da UN Comtrade, da Organização das Nações Unidas (ONU), e analisados pelo Cepea, mostram que a carne suína brasileira foi a mais competitiva no mercado internacional em 2025, quando considerado o valor em dólar por quilo exportado.
Atual terceiro maior exportador mundial, o Brasil registrou valor médio de US$ 2,57 por quilo no ano passado, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia (respectivamente o primeiro e segundo maiores exportadores globais) tiveram ambos média de US$ 3,18 o quilo.





