Em seu primeiro boletim de exportações de carne bovina, no qual destaca o volume recorde embarcado pelo setor em 2025, a Associação Brasileira de Frigoríficos ressaltou que o ano de 2026 marcará o início de um período de consolidação para o mercado de carne bovina.
“Após dois anos de crescimento vertiginoso, o setor de carne bovina brasileiro enfrenta um teste sutil. Para a Abrafrigo, a rápida expansão provavelmente dará lugar à consolidação, com a abertura e o avanço gradual em novos mercados tecnicamente complexos, como Japão e Coreia do Sul, além da efetiva conquista do Vietnã, aberto em 2025”, afirma a Associação.
Na avaliação da Abrafrigo, a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia terá seu potencial de ganhos limitado pelas regras de salvaguarda impostas pelo bloco europeu, consideradas restritivas e capazes de reduzir o impacto comercial do acordo para o setor.
A Abrafrigo destaca ainda um ambiente comercial de disputas geopolíticas, o risco de intensificação de guerras comerciais e tarifárias e as medidas de salvaguarda adotadas pela China, que limitam as importações de carne bovina brasileira livres de tarifa extraquota de 55% a 1,1 milhão de toneladas, fatores que podem impactar o ritmo de expansão das exportações.
“A viabilização de novos mercados terá papel fundamental para a manutenção do forte protagonismo conquistado pela carne bovina brasileira no mercado mundial”, conclui a Associação em nota.
As exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde em 2025, considerando carnes in natura, industrializadas, miudezas comestíveis e outros subprodutos. Os embarques somaram 3,853 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação a 2024, enquanto a receita avançou cerca de 40%, alcançando US$ 18,365 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Abrafrigo.
A carne bovina in natura respondeu por aproximadamente 90% do valor exportado pelo setor em 2025, com faturamento de US$ 16,59 bilhões, crescimento de 42,3% na comparação anual, e volume de 3,083 milhões de toneladas, avanço de 21,12%. Ao longo do ano, os embarques registraram sucessivos recordes mensais, refletindo aumento de volume combinado com valorização dos preços médios.
Mercados
As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 177 destinos em 2025. A China manteve-se como principal mercado, concentrando 48,2% da receita total do setor, com US$ 8,845 bilhões, avanço de 47,75% frente a 2024. Considerando apenas a carne bovina in natura, a participação chinesa superou 53% tanto em valor quanto em volume.
Os Estados Unidos foram o segundo maior destino, com 11,24% de participação e receita de US$ 2,064 bilhões, crescimento de 25,9% em relação ao ano anterior, mesmo com a incidência de tarifas adicionais entre agosto e outubro de 2025. União Europeia, Chile, México, Rússia, Filipinas, Egito, Hong Kong e Arábia Saudita completam a lista dos principais compradores.
A União Europeia apresentou um dos desempenhos mais expressivos do ano, com aumento de 76,5% na receita, que atingiu US$ 1,049 bilhão, e crescimento de 57% no volume exportado, totalizando 128 mil toneladas.






