Uma ala do PT avalia que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não tem o perfil para assumir o Ministério da Segurança Pública, que deve ser criado em breve pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parlamentares relatam que o chefe da PF tem boa relação com a bancada, mas entendem que ele deveria permanecer no comando da corporação.
Para essa ala do PT, com influência no partido, Andrei é um nome técnico e competente, com destaque à investigação que culminou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por golpe de Estado. Por outro lado, ele é considerado pouco midiático e combativo.
O partido entende que, diante de uma eleição que se aproxima, a pasta deve ter à frente um nome com experiência na política, para rebater as eventuais críticas e os ataques de adversários perante a opinião pública.
Há ainda um segundo ponto para a defesa, no PT, da manutenção de Andrei na PF. De acordo cm alguns parlamentares, não se sabe se de fato o Ministério da Segurança Pública conseguirá ter competência legal para colocar o governo federal como protagonista. Dessa forma, a permanência na corporação, defendem, seria a melhor maneira de aproveitar o perfil do policial federal.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública será criado a partir de um desmembramento do Ministério da Justiça, que hoje acumula as duas competências. A ideia de separação acontece diante da vontade do presidente Lula em avançar no combate à insegurança. Esse tema, indicam as pesquisas, deve ser um dos principais pontos de atenção do eleitor na eleição de outubro.
A dúvida paira por causa da incerteza sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que daria mais competência ao governo federal sobre essa área. O projeto está parado na Câmara, e uma ala do Planalto entende que há fortes chances de ele não sair do papel em 2026 porque o funcionamento do Congresso será achatado pelo calendário eleitoral.
No governo, há uma divisão sobre a ideia de quando criar a nova pasta. Uma ala defende que aconteça logo, após a esperada saída do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Outra ala avalia que o ministério só deveria ser criado após a aprovação da PEC, sob risco de o governo atrair para si uma expectativa de protagonismo que não poderá ser correspondida.






