Na reta final de preparação para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2025, cresce a pressão sobre os candidatos. Muitos já dominam a estrutura dissertativo-argumentativa da redação e conseguem elaborar textos coesos, mas ainda não atingem a nota desejada. A produção textual, que pode ser decisiva na disputa por vagas, se transforma em um obstáculo. A questão é: como sair do “regular” e alcançar notas acima de 900 pontos?
Para Fernando Andrade, professor de redação do Estratégia Vestibulares, o segredo está nos detalhes. “Sim, é possível, ter um bom desempenho na escrita da redação, especialmente no Enem, cuja grade de correção é formada por itens independentes. Mas exige determinação e compromisso. O aluno deve escrever pelo menos uma vez por semana, identificar seus pontos fracos e ter clareza sobre quais competências podem ser aprimoradas nesse período”, afirma.
Mais do que aplicar uma fórmula, alcançar notas altas depende de aprofundamento na argumentação, uso qualificado de repertórios e domínio dos critérios avaliados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
O que separa 900 de mil pontos na redação
A diferença, segundo Fernando, está no “traço autoral”. “Um texto nota 900 cumpre as exigências de forma correta, mas muitas vezes burocrática. Já as redações nota mil revelam conhecimento aprofundado e exploram o tema com mais especificidade”, explica.
Na edição anterior do Enem, por exemplo, enquanto muitos candidatos mencionaram apenas a “tradição africana”, os textos de destaque detalharam aspectos como culinária, religião e música. Esse nível de detalhamento demonstra domínio cultural e uma visão mais crítica.
As cinco competências avaliadas
O educador reforça que a correção da redação do Enem considera cinco competências, que podem ser trabalhadas separadamente:
- Competência 1 – norma padrão: identificar erros gramaticais recorrentes e corrigi-los.
- Competência 2 – repertório: usar citações, dados ou referências culturais, sempre bem conectados ao tema.
- Competência 3 – argumentação: construir raciocínios sólidos e autorais, mesmo que não atinjam a perfeição.
- Competência 4 – coesão: treinar conectivos e a progressão de ideias dentro dos parágrafos.
- Competência 5 – proposta de intervenção: apresentar agente, ação, meio, finalidade e detalhamento.
Como enriquecer o texto
Para inserir referências sem parecer forçado, a solução é construir um acervo pessoal. O professor recomenda a criação de um caderno de anotações. Ao estudar História, Sociologia ou Filosofia, o aluno pode registrar fatos e citações e associá-los a grandes eixos temáticos, como meio ambiente, saúde e tecnologia. “Por exemplo, ao estudar a Abolição da Escravatura, pode-se registrar a ausência de indenização aos ex-escravizados prevista na Lei Áurea como um repertório para discutir desigualdade social”, explica Andrade.
O uso de repertórios prontos também é válido, desde que ajustado ao tema de forma natural. “Se um filósofo da política é citado para criticar a atuação do Estado, termos como ‘Estado’ e ‘cultura indígena’ precisam aparecer de maneira orgânica no argumento, construindo uma ponte entre a ideia geral e o problema proposto”, acrescenta.
A prática ideal
A frequência do treino varia conforme o nível do estudante. Para quem já alcança notas medianas, uma redação por semana é suficiente. Alunos abaixo de 700 pontos, no entanto, devem intensificar a prática: pelo menos duas produções semanais, alternando resumos e dissertações.
Quando o assunto são temas inesperados, a recomendação é observar o padrão do Inep. “A banca sempre apresenta uma situação-problema ligada a um direito negado a determinado grupo social. Estudar os eixos temáticos gerais é a forma mais segura de estar preparado para qualquer proposta”, conclui o professor.