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Ensinar Libras desde cedo integra a escola e ajuda a superar o capacitismo

Professora da EMEI Gabriel Prestes, em São Paulo (SP), ensina Libras às turmas e envolve toda a comunidade escolar, promovendo o respeito e a inclusão

por Da Redação
19/10/2024
em Educação
Tempo de leitura: 10 minutos
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Referência na educação brasileira, especialmente para os professores preocupados com os direitos humanos, Paulo Freire (1921-1997) escreveu em “Pedagogia da Autonomia” uma frase que me marcou muito: “Às vezes, mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor”. Pude comprovar a citação na prática ao criar o projeto “Falando com as mãos”, com as turmas da EMEI (Escola Municipal de Ensino Infantil) Gabriel Prestes, localizada na região central de São Paulo (SP). 

Embora a escola atenda apenas crianças ouvintes, a proposta trabalha a inclusão de forma genuína, promovendo o processo educativo em Libras (Língua Brasileira de Sinais) concomitantemente com o ensino de língua portuguesa. Durante o desenvolvimento do trabalho, conto com a parceria das professoras Amanda Gomes Pinto e Rosemayre Oliveira de Almeida.

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Como tudo começou

Em 2004 e 2005, cursei uma disciplina de educação especial com a professora Roseli Baumel, autora do livro “Educação especial: do querer ao fazer”, na Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Naquele contexto, discutia-se a importância de incluir alunos com deficiência nas escolas regulares, mesmo sem a preparação das redes, pois a presença delas nas salas regulares pressionaria o poder público a oferecer formação, recursos materiais e humanos para efetivar, de fato, o ambiente inclusivo.

Inspirada pelo aprendizado, anos depois fiz um curso básico de Libras no Instituto Singularidades, uma recompensa do Prêmio Arte na Escola Cidadã. Tive acesso a vários recursos e reflexões sobre a inclusão de pessoas surdas e sobre o Brasil ter a Libras reconhecida pela lei 10.436 como meio legal de comunicação e expressão. O poder público deve garantir o seu uso e difusão. Então por que não ensiná-la aos brasileirinhos que estavam sob meus cuidados na educação infantil.

Inclusão: da ideia à prática

Comecei inserindo elementos para que, meninos e meninas, mesmo tão pequenos, pudessem descobrir outra forma de falar que não só verbalizando. O desafio era tornar a Libras uma prática comum para as crianças. 

O primeiro passo foi levar um calendário anual em Libras, para que as turmas pudessem observar e conversar sobre o significado daqueles “desenhos”. “O que os ‘homenzinhos’ estavam fazendo com as mãos?”, perguntavam. Foi a oportunidade de explicar que essa forma de se comunicar no Brasil, em geral, era utilizada apenas por um público bem específico: as pessoas surdas. 

Aos poucos, fui trazendo figuras de pessoas com os sinais que representavam os dias da semana e os meses. A primeira roda de conversa passou a começar com sinais conhecidos, como: boa tarde, tudo bem, hoje etc. Diariamente, trago um sinal inédito para ser usado durante as atividades, estimulando as crianças a descobrir novos para ensinar aos demais. Por exemplo: elas passaram a sinalizar banheiro e água, para indicar que estão indo a esses lugares.

Além do calendário, o alfabeto datilológico e diversos cartazes agora estão espalhados pela escola, para que a turma da educação infantil toda a equipe perceba a nova linguagem, apropriando-se de forma lúdica e gradativa. Aos poucos, todos estão aprendendo.

O alfabeto e as letras que compõem o nome da criança, os sinais utilizados no cotidiano (dias da semana, os meses, nome dos integrantes das famílias, dos espaços utilizados na escola e dos brinquedos, ações, alfabeto datilológico) também estão no dia a dia, a fim de ampliar a paisagem linguística e a identificação de mais uma forma de comunicação, por meio de sinais. Também são exibidos vídeos, por mim e pelas outras educadoras, que mostram o uso de Libras no cotidiano. A língua também aparece nas brincadeiras. 

Ensinar Libras desde cedo integra a escola e ajuda a superar o capacitismo

Referência na educação brasileira, especialmente para os professores preocupados com os direitos humanos, Paulo Freire (1921-1997) escreveu em “Pedagogia da Autonomia” uma frase que me marcou muito: “Às vezes, mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor”. Pude comprovar a citação na prática ao criar o projeto “Falando com as mãos”, com as turmas da EMEI (Escola Municipal de Ensino Infantil) Gabriel Prestes, localizada na região central de São Paulo (SP). 

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Embora a escola atenda apenas crianças ouvintes, a proposta trabalha a inclusão de forma genuína, promovendo o processo educativo em Libras (Língua Brasileira de Sinais) concomitantemente com o ensino de língua portuguesa. Durante o desenvolvimento do trabalho, conto com a parceria das professoras Amanda Gomes Pinto e Rosemayre Oliveira de Almeida.

Como tudo começou

Em 2004 e 2005, cursei uma disciplina de educação especial com a professora Roseli Baumel, autora do livro “Educação especial: do querer ao fazer”, na Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Naquele contexto, discutia-se a importância de incluir alunos com deficiência nas escolas regulares, mesmo sem a preparação das redes, pois a presença delas nas salas regulares pressionaria o poder público a oferecer formação, recursos materiais e humanos para efetivar, de fato, o ambiente inclusivo.

Inspirada pelo aprendizado, anos depois fiz um curso básico de Libras no Instituto Singularidades, uma recompensa do Prêmio Arte na Escola Cidadã. Tive acesso a vários recursos e reflexões sobre a inclusão de pessoas surdas e sobre o Brasil ter a Libras reconhecida pela lei 10.436 como meio legal de comunicação e expressão. O poder público deve garantir o seu uso e difusão. Então por que não ensiná-la aos brasileirinhos que estavam sob meus cuidados na educação infantil.

Clique na foto abaixo para conferir a galeria de imagens:

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Inclusão: da ideia à prática

Comecei inserindo elementos para que, meninos e meninas, mesmo tão pequenos, pudessem descobrir outra forma de falar que não só verbalizando. O desafio era tornar a Libras uma prática comum para as crianças. 

O primeiro passo foi levar um calendário anual em Libras, para que as turmas pudessem observar e conversar sobre o significado daqueles “desenhos”. “O que os ‘homenzinhos’ estavam fazendo com as mãos?”, perguntavam. Foi a oportunidade de explicar que essa forma de se comunicar no Brasil, em geral, era utilizada apenas por um público bem específico: as pessoas surdas. 

Aos poucos, fui trazendo figuras de pessoas com os sinais que representavam os dias da semana e os meses. A primeira roda de conversa passou a começar com sinais conhecidos, como: boa tarde, tudo bem, hoje etc. Diariamente, trago um sinal inédito para ser usado durante as atividades, estimulando as crianças a descobrir novos para ensinar aos demais. Por exemplo: elas passaram a sinalizar banheiro e água, para indicar que estão indo a esses lugares.

Além do calendário, o alfabeto datilológico e diversos cartazes agora estão espalhados pela escola, para que a turma da educação infantil toda a equipe perceba a nova linguagem, apropriando-se de forma lúdica e gradativa. Aos poucos, todos estão aprendendo.

O alfabeto e as letras que compõem o nome da criança, os sinais utilizados no cotidiano (dias da semana, os meses, nome dos integrantes das famílias, dos espaços utilizados na escola e dos brinquedos, ações, alfabeto datilológico) também estão no dia a dia, a fim de ampliar a paisagem linguística e a identificação de mais uma forma de comunicação, por meio de sinais. Também são exibidos vídeos, por mim e pelas outras educadoras, que mostram o uso de Libras no cotidiano. A língua também aparece nas brincadeiras. 

Espaços e parcerias na educação infantil

Diariamente, para que o uso dessa língua seja colocado em prática e se torne parte de suas vivências nos mais variados contextos, a comunicação das crianças é realizada conjuntamente com a Libras. Durante as Olimpíadas, com o apoio das demais educadoras, aprendemos juntos novos sinais sobre esportes.

Passamos a estudar o nome dos alimentos. Todas as turmas, tanto do período da manhã quanto do período da tarde, agora fazem o cardápio em Libras. Diariamente, na hora do lanche, uma criança é a ajudante de Libras, para que a língua seja vivenciada por cada um na turma. A criança veste uma camiseta do projeto “Falando com as mãos”, o que amplia ainda mais o interesse em participar.

Em relação aos campos de experiência previstos na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para a educação infantil, o projeto aborda: “O eu, o outro e o nós”, “Corpo, gestos e movimentos”, “Escuta, fala, pensamento e imaginação.”

A cozinheira Bárbara Cunha também utiliza os sinais aprendidos para falar alguns alimentos nas horas das refeições para que as crianças descubram qual é. Uma das auxiliares técnicas de educação (antigas inspetoras de alunos), Catarina Brancacio, tem um filho surdo, e ela também mostra sinais para as crianças nos momentos coletivos; outra auxiliar, Ivonise Souza, começou a fazer um curso de Libras para poder interagir com as crianças e pessoas surdas que procurem a escola para tirar dúvidas ou matricular seus filhos. 

Também estamos criando uma parceria com o Centro de Educação para Surdos Rio Branco, para que a turma do primeiro ano possa se comunicar com a nossa turma da EMEI, inicialmente por carta e, em breve, por WhatsApp e reuniões online.

Resultados alcançados

Ensinar a Libras como segunda língua para as crianças ouvintes é uma maneira de decolonizar (ou seja, quebrar padrões) do currículo, além de conversar sobre as diferenças e as contradições existentes na sociedade, como a forma dominante de comunicação, apresentando maneiras de superá-las. O “Falando com as mãos” também desenvolve a empatia ao pensar sobre as dificuldades de comunicação na sociedade e, em específico, aquelas encontradas pelas pessoas surdas.

Superar o capacitismo é uma das principais intenções da proposta, incentivando meninos e meninas a levar a Libras no cotidiano. Além de desenvolver conhecimento significativo para a vida, essa prática fortalece a diversidade cultural e promove a educação em direitos humanos. 

Mais conexão e empatia

A introdução de Libras na rotina da turma da educação infantil promoveu um aprendizado rico, significativo e objetivo: a possibilidade de se comunicar com mais pessoas na sociedade. Proporcionar às crianças ouvintes a aprendizagem de uma segunda língua de maneira significativa e intencional, inserindo em sua rotina a utilização de sinais básicos, permite o aprendizado e a quebra de barreiras.

Tanto eu quanto os colegas da escola percebemos como as crianças passaram a identificar pessoas surdas na comunidade: seja no transporte público, em lojas, festas e mesmo na escola. Elas agora acreditam que a Libras é mais uma língua a ser usada, assim como qualquer outra, e começam a ter uma curiosidade que amplia seu repertório naturalmente. 

O não preconceito com a Libras permite que as crianças abordem surdos, e se sintam capazes de falar com eles, mesmo tendo pouco vocabulário. Temos vários relatos de famílias que trazem a experiência do convívio das crianças como algo que as empodera na abordagem e comunicação com pessoas surdas. Atendemos crianças migrantes com severas barreiras linguísticas e o uso de Libras não só as integra ao grupo, como permite a comunicação mesmo sem o domínio da língua portuguesa.

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