O Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais, segundo o Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quando há indicação de um procedimento cirúrgico, as particularidades desse público devem ser consideradas desde o planejamento da anestesia.
Pacientes com deficiência física, intelectual, auditiva, visual ou múltipla podem apresentar necessidades distintas. A condição, isoladamente, não significa maior risco anestésico, mas características individuais e problemas de saúde associados podem exigir cuidados específicos. Limitações de mobilidade, alterações neuromusculares ou respiratórias e dificuldades de comunicação estão entre os fatores analisados pelo anestesiologista.
A avaliação pré-anestésica reúne informações sobre doenças preexistentes, alergias, medicamentos em uso, experiências anteriores com anestesia e outros aspectos importantes para a condução do procedimento.
Para o médico anestesiologista e presidente da Coopanest Tocantins, Tássio Pontes, a assistência deve partir de um olhar individualizado. “Quando recebemos um paciente, precisamos compreender não apenas seu diagnóstico, mas como aquela condição se apresenta e quais necessidades ela traz para o cuidado. Duas pessoas com a mesma deficiência podem ter condições clínicas e formas de comunicação muito diferentes. A avaliação prévia nos permite reconhecer essas particularidades e planejar a anestesia com segurança”, destaca.
Nos casos de mobilidade reduzida, por exemplo, o posicionamento durante a cirurgia pode exigir atenção especial para evitar pressão excessiva sobre determinadas regiões do corpo. Pacientes com deficiência intelectual, auditiva ou visual, por sua vez, podem precisar de adaptações na comunicação para compreender orientações, expressar dor ou desconforto e lidar com a ansiedade. Quando necessário, familiares e cuidadores também contribuem com informações sobre a rotina, o comportamento e as formas de interação do paciente.
Os medicamentos utilizados são outro ponto de atenção. “É importante que o paciente ou responsável informe todos os medicamentos, principalmente os de uso contínuo. Dependendo do quadro clínico e do remédio, essa informação pode interferir no planejamento anestésico. A orientação sobre manter ou suspender uma medicação deve sempre partir da equipe médica”, ressalta Tássio Pontes.
No centro cirúrgico, o anestesiologista acompanha continuamente parâmetros como pressão arterial, frequência cardíaca, oxigenação e respiração, associando os protocolos de segurança às necessidades identificadas previamente.
O cuidado continua após o procedimento. O quadro clínico e as características individuais também orientam a recuperação anestésica, para que essa etapa seja conduzida com segurança e de acordo com as necessidades de cada paciente.







