Palmas já tem aproximadamente 25 mil pessoas idosas, o equivalente a 8,2% da população da Capital, segundo dado divulgado pela Prefeitura em maio de 2026. O cenário local acompanha uma transformação que ocorre em todo o país: em 2024, o Brasil chegou a 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, ante 22 milhões em 2012, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE em dezembro de 2025.
No Tocantins, a mudança na estrutura etária já havia sido identificada pelo Censo. O índice de envelhecimento, que é o número de pessoas com 60 anos ou mais para cada grupo de 100 crianças de até 14 anos, passou de 29,5 em 2010 para 53,8 em 2022. No mesmo período, a idade mediana da população tocantinense subiu de 25 para 31 anos.
O aumento da longevidade traz consequências que vão além da saúde e da previdência. Com mais pessoas chegando à terceira idade, entram na rotina das famílias questões relacionadas a cuidados, organização financeira, documentação, autonomia e decisões que muitas vezes são adiadas até uma situação de emergência ou perda. Essa relação também aparece nos dados de mortalidade: em 2024, 71,7% dos óbitos registrados no Brasil foram de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 1,07 milhão de mortes.
O cenário amplia a discussão sobre uma etapa do planejamento familiar que ainda costuma ser pouco tratada: a organização prévia de questões relacionadas à assistência, aos procedimentos e à despedida. Para William Mendes, diretor do Grupo PAX Palmas, empresa que atua com assistência às famílias e serviços funerários, antecipar algumas dessas decisões pode reduzir a quantidade de questões práticas que recaem sobre os familiares durante o luto. “Planejar não significa viver pensando na morte, significa organizar, enquanto temos tranquilidade para decidir, aquilo que um dia poderia acabar ficando sob a responsabilidade da família em um momento de perda”, completou.
Entre essas decisões está o planejamento funerário, ainda cercado por resistência em muitas famílias. A proposta, segundo William, é que o tema seja entendido como parte de uma organização mais ampla da vida, assim como ocorre com patrimônio, aposentadoria, documentação, seguro de vida, seguro veicular e outros tipos de proteção que podem ser definidos antecipadamente.
Com 34,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais e cerca de 25 mil idosos somente em Palmas, o envelhecimento deixa de ser uma projeção distante e passa a fazer parte da realidade atual das famílias. A mudança também amplia o desafio de construir uma cultura em que longevidade venha acompanhada de autonomia, informação e planejamento.







