O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai abrir a campanha à Presidência neste domingo (16/8) com um ato na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No primeiro dia em que a propaganda eleitoral estará liberada, o senador pretende levar apoiadores às ruas e repetir símbolos e formatos usados pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para mobilizar o bolsonarismo.
A concentração está marcada para as 10h, e o ato deve começar às 11h. Segundo aliados do senador, a manifestação “vai ser ao velho estilo Bolsonaro”. O PL do Rio mobiliza parlamentares, candidatos, dirigentes e apoiadores para ocupar a orla.
A convocação reforça a ligação com o ex-presidente. Em mensagens divulgadas para chamar o público, os organizadores pedem que apoiadores usem roupas e símbolos ligados ao bolsonarismo, como camisas verdes e amarelas e peças com referência a Jair Bolsonaro.
Copacabana se tornou um dos principais palcos das manifestações ligadas a Bolsonaro nos últimos anos. O ex-presidente recorreu à praia para reunir apoiadores, discursar em carros de som e trios elétricos e transformar a Avenida Atlântica em uma vitrine política do bolsonarismo.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu no 7 de Setembro de 2022, quando Bolsonaro disputava a reeleição contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O então presidente chegou ao Rio, participou de uma motociata e depois seguiu para Copacabana, onde subiu em um trio elétrico e pediu votos.
Naquele dia, apoiadores ocuparam trechos da orla com bandeiras do Brasil e roupas verdes e amarelas. Políticos e lideranças religiosas também discursaram em carros de som. A manifestação ocorreu junto às comemorações oficiais dos 200 anos da Independência.
Bolsonaro aproveitou o ato para atacar Lula. Chamou o adversário de “quadrilheiro de nove dedos” e afirmou que “esse tipo de gente” precisava ser “extirpado da vida pública”.
A manifestação também teve faixas e cartazes com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de pedidos de intervenção militar.
Flávio tenta agora recuperar essa forma de mobilização. A estratégia, porém, vai além do ato em Copacabana, das camisas de Bolsonaro, das bandeiras do Brasil e das manifestações de rua. Segundo aliados, o senador deve levar para a campanha pautas ideológicas que marcaram a trajetória política do pai.
Pautas ideológicas no programa
Parte dessas bandeiras aparece no programa de governo entregue à Justiça Eleitoral na quinta-feira (13/8). Intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, o documento reúne propostas para áreas como segurança, economia, educação, saúde, infraestrutura e gestão pública.
Na área de costumes, Flávio propõe restringir a participação de mulheres trans em categorias femininas de competições esportivas. O plano também defende ampliar as escolas cívico-militares e promete uma educação “livre de doutrinação político-partidária”.
Em outro trecho, o programa apresenta o “respeito à vida desde a concepção” como um valor inegociável. A formulação reforça uma posição contrária ao aborto, embora o documento não apresente propostas específicas para mudar a legislação sobre o tema.
O STF também aparece no programa. Flávio propõe limitar decisões individuais de ministros, mudar regras para ações que chegam à Corte e retirar do Supremo processos criminais contra autoridades que hoje são julgadas diretamente pelo tribunal.
A tentativa de repetir marcas do pai deve continuar depois de Copacabana. A campanha trabalha com a possibilidade de realizar um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no 7 de Setembro. O local também se tornou um dos principais pontos de mobilização de Jair Bolsonaro nos últimos anos. Os detalhes da manifestação ainda estão em discussão.
Sudeste no centro da largada
Antes disso, Flávio deve concentrar os primeiros dias de campanha no Sudeste. Depois do Rio, o senador deve passar em Minas Gerais, retornar a Brasília, seguir para São Paulo e voltar ao Rio. O roteiro reflete o peso que a região terá durante a campanha.
A primeira parada em Minas também carrega uma referência direta ao pai. Na segunda-feira (17/8), Flávio deve participar de uma motociata em Juiz de Fora, cidade onde Jair Bolsonaro sofreu uma facada durante a campanha presidencial de 2018.
A concentração está prevista para a manhã, no aeroporto da cidade. O passeio deve terminar próximo à Câmara Municipal.
A motociata recupera outra marca de Jair Bolsonaro. O ex-presidente usou passeios de moto com apoiadores durante o governo e também na campanha de 2022 para mobilizar sua base e produzir imagens de grandes concentrações com repercussão nas redes sociais e na imprensa.
Minas Gerais também tem papel importante na estratégia eleitoral. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ser tratado pelas campanhas como um dos principais termômetros da disputa presidencial.
Ao mesmo tempo, o PL enfrenta dificuldades para organizar o palanque local. A legenda caminhava inicialmente para apoiar Cleitinho (Republicanos) ao governo estadual, mas as indefinições e os sucessivos vaivéns dele sobre a disputa levaram o partido a lançar Flávio Roscoe (PL) como candidato ao governo nos últimos dias do prazo de registro de candidaturas.
Palanques sob atenção
- Rio: PL perdeu o apoio de União Brasil e PP, e Douglas Ruas ainda não cresceu nas pesquisas.
- Minas: partido lançou Flávio Roscoe, desconhecido do eleitorado, após impasse com Cleitinho.
- São Paulo: campanha busca maior participação de Tarcísio.
- Flávio tenta fortalecer alianças nos principais estados do Sudeste.
Em São Paulo, Flávio pretende ampliar a presença da campanha. A estrutura da candidatura foi transferida para o estado em uma tentativa de aproximá-lo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito à reeleição e de quem o senador cobra, nos bastidores, maior participação na campanha, além do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
Problemas no berço da família
No Rio, Flávio tenta preservar a força eleitoral construída pelo pai. É justamente no estado, porém, que ele começa a campanha com um palanque mais frágil do que o PL pretendia montar. Berço político da família Bolsonaro, o Rio viu o partido perder aliados durante as negociações para a eleição.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, decidiu não apoiar Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo estadual. Os dois partidos adotaram neutralidade e encerraram a aliança anunciada no início do ano.
O PL também perdeu nomes que fariam parte da chapa, que havia sido articulada com atuação de Flávio. Rogério Lisboa (PP), anunciado como candidato a vice de Ruas, desistiu da disputa. Márcio Canella (União), indicado para concorrer ao Senado, também deixou o projeto e decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio.
Sem os antigos aliados, o PL montou uma chapa formada apenas por integrantes da legenda. Douglas Ruas disputa o governo com Fernanda Louback como vice. Carlos Portinho e Carlos Jordy concorrem às duas vagas do estado no Senado.
O ato deste domingo também dará largada à campanha desses candidatos. A mobilização em Copacabana deve reunir a chapa fluminense em torno de Flávio antes do lançamento oficial do grupo, marcado para 22 de agosto, no Maracanãzinho.







