A Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Palmas (Seirdh) realizou, na tarde desta quinta-feira, 6, a apresentação dos resultados do primeiro Censo Participativo dos Povos Ciganos de Palmas. O encontro reuniu membros e lideranças da comunidade cigana da Capital para compartilhar os dados levantados e discutir as principais demandas relacionadas às políticas públicas destinadas ao segmento. O mapeamento é uma iniciativa coordenada pela Prefeitura e executada em parceria com o Instituto Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais do Tocantins (Ines-PCTS/TO) e a Associação dos Povos Ciganos da Etnia Kalon de Palmas Tocantins (Acek-Patins).
Na abertura do evento, integrantes das etnias presentes resgataram a memória dos povos ciganos no Brasil e no Tocantins e destacaram como processos históricos de marginalização contribuíram para a exclusão social e a reprodução de preconceitos contra essas comunidades até os dias atuais. O encontro também contou com representantes das secretarias municipais da Saúde (Semus) e da Educação (Semed), evidenciando o caráter transversal das políticas que envolvem a população cigana e poderão ser subsidiadas pelos resultados do Censo.
O secretário da Seirdh, Joelson Soares, reforçou que as informações obtidas permitem conhecer com maior precisão as particularidades da comunidade cigana, mas ressaltou que a iniciativa representa a etapa inicial de um processo mais amplo de articulação institucional. “Finalizada essa fase, nós agora estamos preocupados em seguir cumprindo metas e qualificando o Município junto ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), junto ao Ministério da Igualdade Racial (MIR) e também a programas viabilizados pelo Selo Unicef. Esses são caminhos possíveis para obtermos ainda mais recursos que nos possibilitem trazer benefícios concretos para os povos ciganos e para outras populações socialmente minorizadas”, explicou o gestor.
Resultados e perspectivas
O primeiro Censo Participativo dos Povos Ciganos de Palmas identificou, até o momento, pelo menos 335 pessoas pertencentes à comunidade entre aquelas que residem ou permanecem de forma recorrente na Capital. Desse total, 132 são crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos e 203 são adultos, com 18 anos ou mais.
O questionário, elaborado de forma colaborativa, também contempla uma investigação qualitativa que busca aprofundar o conhecimento sobre aspectos como escolaridade, trabalho, renda e distribuição territorial, entre outros.
Para a professora da rede estadual e presidente da Acek-Patins, Ana Cléia, a existência de dados estatísticos oferece novas perspectivas para o encaminhamento das demandas sociais dessa população. “A gente sabe que ter ‘números’ é essencial para desenvolver e efetivar políticas públicas. Então, esse é um primeiro passo, mas é um passo gigantesco, né? Por muito tempo escutei: ‘Ah, mas só tem você de cigana em Palmas’, e o Censo agora está aí para mostrar a realidade. Hoje nós temos diversas tratativas com outros órgãos e instituições, mas poder contar com essa estimativa vai fortalecer o andamento das nossas pautas”, comemorou a professora.
Já o assessor de gabinete da Seirdh e membro da etnia Kalon, Johny Sá, celebrou o pioneirismo do Município na abordagem que possibilitou às próprias pessoas da comunidade participarem de todo o processo de elaboração e aplicação da pesquisa. “É um marco histórico porque Palmas é a primeira capital brasileira a realizar um censo participativo com os povos ciganos. Com esses dados em mãos, buscamos políticas concretas, como cotas em universidades e concursos, além de moradia e a valorização da nossa cultura em todo o Estado”, avaliou o servidor.
Visibilidade e cidadania
O diretor temático de povos ciganos do Ines-PCTS/TO, Salomão Neto Queiroz, salientou a importância do olhar da Secretaria para essa comunidade que, no Brasil, ainda sofre com pouca atenção do poder público. “Também somos contribuintes deste país. Em Palmas, também somos pioneiros. Muitos de nós já conseguimos conquistar melhores condições, a possibilidade de sustentar a família e educar os filhos. Mas hoje nós estamos aqui falando por aqueles que ainda não têm acesso aos direitos que deveriam ser direito de todos”, pontuou Salomão.
Atualmente, o único representante da etnia Rom na Capital, Klébio Gomes, vê nessas ações e diálogos o potencial de corrigir preconceitos do passado e oferecer novas perspectivas para o futuro. “Em meus 50 anos, esta é apenas a segunda vez que tenho a oportunidade de falar sobre o meu povo de forma pública. Esse mapeamento é essencial para que sejamos vistos por todos e para que as novas gerações tenham mais oportunidades e sofram menos com a invisibilidade”, afirmou.







