No primeiro semestre de 2026, a rentabilidade da banana nanica de primeira qualidade dos produtores do Vale do Ribeira (SP) se demonstrou superior à de 2025, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Porém, isso ocorreu apenas percentualmente, pois, quando comparados os valores absolutos, as margens de ganho ainda foram apertadas, assim como no ano anterior.
Esse resultado é refletido pelo comportamento conjunto dos custos de produção e dos preços recebidos pelos produtores ao longo do semestre. Quando comparados os custos de produção, houve um incremento de 3% em comparação com o mesmo período de 2025, registrando um valor de 1,40/kg. Este aumento está relacionado à redução dos investimentos realizados ao longo de 2025.
Essa retração ocorreu em resposta ao cenário desestimulante que marcou o primeiro semestre daquele ano, caracterizado pela baixa rentabilidade, segundo o Cepea. Como consequência, a menor intensidade de investimentos acarretou em menores produtividades, limitando a diluição dos custos e contribuindo para a ligeira elevação do valor por quilograma produzido. Ainda assim, embora os custos tenham aumentado, esse avanço foi relativamente pequeno diante da alta observada nos preços da fruta.
Nesse contexto, o preço médio da banana no primeiro semestre de 2026 apresentou alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo R$ 1,59/kg. Segundo colaboradores do Hortifrúti/Cepea, o aumento da média de preços nas praças paulistas esteve associado, principalmente, à valorização observada durante o mês de março.
Esse movimento foi favorecido pela redução da disponibilidade da variedade naquele mês, decorrente da estiagem registrada entre janeiro e fevereiro e da ocorrência de ventos durante o verão (dezembro a fevereiro), que provocaram o tombamento de plantas, a necessidade de podas e replantios, interrompendo parte do ciclo produtivo.
Apesar de a variedade ter sido comercializada a uma cotação mensal de R$ 2,16/kg em março, a queda na qualidade provocada pelas baixas temperaturas a partir do final de maio, juntamente à oferta de frutas mais atrativas e com preços menores nas praças concorrentes, como o Norte de Minas Gerais, pressionou as cotações e impediram que os preços continuassem avançando ao longo do final do semestre.
Como reflexo desse cenário, a rentabilidade média entre janeiro e junho de 2026 foi de R$ 0,19/kg, valor 217% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025, quando a média foi de R$ 0,06/kg. Apesar desse avanço expressivo em termos percentuais, o ganho absoluto permaneceu relativamente reduzido, evidenciando que a atividade continuou operando com baixo nível de rentabilidade.







