Estudantes e pesquisadores do Câmpus de Miracema saíram das salas de aula, no final de maio, para realizar intervenções públicas em duas praças de Miracema do Tocantins. As ações, organizadas nos dias 29 e 30 pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais, Educação, Diversidade e Direitos Humanos (Geepe-Dedh), levaram para as ruas debates e dados sobre o Maio Laranja, campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A iniciativa movimentou as praças Mãe Domingas e Derocy Moraes com o uso de murais informativos, leituras em microfone e músicas temáticas, atraindo moradores e trabalhadores da região.
A escolha dos locais públicos teve como objetivo romper os muros da universidade e dialogar diretamente com a comunidade. Durante as atividades, alunos dos cursos de Pedagogia e Serviço Social apresentaram dados recentes do Atlas da Violência 2026. Os números chamaram a atenção dos moradores ao mostrar que, no período de 2014 a 2024, a maior parte dos registros de violência sexual ocorreu dentro da própria casa das vítimas, tendo meninas como o alvo principal e homens como os principais agressores.
Para alertar sobre a realidade local, o grupo também expôs notícias de jornais e decisões do Poder Judiciário do Tocantins envolvendo julgamentos de crimes sexuais no estado. A ideia foi desmistificar o perfil dos criminosos, mostrando que esse tipo de violência acontece em todas as classes sociais. O público que passava pelas praças pôde conferir telefones e endereços de órgãos de proteção locais e nacionais, como o Conselho Tutelar, a 7ª Deam, o Creas, a Polícia Militar e o Disque 100.
A resposta da população nas praças reforçou o impacto do projeto. Muitos moradores conversaram com os estudantes e elogiaram a iniciativa, destacando que ações de conscientização com dados práticos deveriam acontecer durante o ano inteiro, e não apenas no mês de maio.
Diante do retorno positivo, a equipe de coordenadores e os alunos já planejam novas ações de rua em Miracema para os próximos meses de 2026. A meta é aproveitar datas importantes do calendário social e períodos de grande movimentação na cidade — como o aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em julho; o Dia de Combate ao Trabalho Infantil, em junho; além da temporada de praias e cavalgadas regionais — para continuar cobrando o engajamento da sociedade na proteção de crianças e adolescentes.







