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Emoções podem sabotar escolhas importantes. Médico explica o porquê

Medo, raiva e até entusiasmo excessivo podem influenciar decisões. Especialistas explicam como identificar momentos de maior vulnerabilidade

por Metrópoles
08/06/2026
em Saúde
Tempo de leitura: 5 minutos
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MirageC / Getty Images

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Tomar decisões faz parte da rotina. Escolher uma profissão, encerrar um relacionamento, aceitar uma proposta de trabalho ou até fazer uma compra importante exige avaliação de riscos, benefícios e consequências.

No entanto, nem sempre as escolhas são guiadas apenas pela razão. Em muitos momentos, as emoções assumem um papel central e podem interferir na capacidade de análise.

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Segundo especialistas, as emoções não são inimigas das boas escolhas. Na verdade, elas cumprem funções essenciais para a sobrevivência e para a adaptação ao ambiente.

O problema surge quando sentimentos como medo, raiva, ansiedade ou até entusiasmo excessivo atingem níveis muito elevados e passam a comandar o comportamento.

Quando a emoção assume o controle

De acordo com o psicólogo Yuri Busin, especialista em Neurociência do Comportamento, as emoções fazem parte da experiência humana e influenciam todas as decisões. O desafio aparece quando a intensidade emocional aumenta a ponto de reduzir a capacidade de reflexão.

“Nós não somos pura razão. As emoções fazem parte da nossa vida e sempre vão influenciar nossas escolhas. O problema acontece quando elas ficam muito intensas e começam a prejudicar a nossa capacidade de analisar a situação com clareza”, explica.

Do ponto de vista biológico, emoções relacionadas a ameaça, medo, raiva ou estresse ativam estruturas cerebrais associadas à proteção e à sobrevivência. Ao mesmo tempo, áreas responsáveis pelo planejamento, pela avaliação de consequências e pelo controle dos impulsos tendem a perder espaço.

Na prática, o cérebro passa a funcionar de maneira mais reativa. Em vez de refletir cuidadosamente, a pessoa busca respostas rápidas para aliviar o desconforto emocional. Como resultado, podem surgir atitudes impulsivas, defensivas ou precipitadas.

Medo, ansiedade, raiva e até felicidade podem influenciar

Cada emoção afeta o comportamento de forma diferente. O medo, por exemplo, ajuda a evitar perigos, mas, quando excessivo, pode impedir a pessoa de assumir riscos necessários para crescer profissionalmente ou desenvolver relacionamentos.

A ansiedade costuma direcionar a atenção para ameaças futuras. Em muitos casos, leva à criação de cenários negativos que ainda nem aconteceram, favorecendo a insegurança e a paralisação.

Já a raiva tende a estimular respostas mais imediatas e confrontadoras, enquanto a tristeza pode favorecer o isolamento e reduzir a disposição para agir. Mas não são apenas emoções consideradas negativas que influenciam as escolhas.

Sentimentos positivos também podem alterar o julgamento. O psiquiatra Eduardo Perin, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), destaca que momentos de grande empolgação merecem atenção.

“Quando estamos excessivamente confiantes, tendemos a subestimar riscos e superestimar nossas capacidades. A empolgação pode criar a sensação de que tudo dará certo, reduzindo a análise crítica dos possíveis problemas”, afirma. Por isso, decisões financeiras, profissionais e afetivas equivocadas também podem acontecer durante períodos de euforia e entusiasmo.

O perigo das decisões tomadas sob estresse

Situações de forte carga emocional costumam provocar diversas alterações no organismo. O corpo libera hormônios ligados ao estresse, como adrenalina e cortisol, acelera os batimentos cardíacos e aumenta a sensação de urgência.

Nessas circunstâncias, o cérebro prioriza respostas rápidas para enfrentar ou escapar de uma ameaça percebida. Embora esse mecanismo seja útil em situações de perigo real, ele pode atrapalhar quando a pessoa precisa tomar decisões complexas e de longo prazo.

Por isso, especialistas recomendam evitar escolhas importantes durante momentos de intensa ativação emocional. Muitas vezes, a necessidade de resolver algo imediatamente está mais relacionada ao desejo de eliminar o desconforto emocional do que à urgência real da situação.

Como identificar que a emoção está interferindo

Alguns sinais podem indicar que a emoção está exercendo influência excessiva sobre uma decisão. Entre eles estão a sensação de que algo precisa ser resolvido imediatamente, pensamentos extremistas, dificuldade para enxergar alternativas, impulsividade, arrependimentos frequentes e repetição dos mesmos erros.

Também podem surgir manifestações físicas, como tensão muscular, respiração acelerada, aumento dos batimentos cardíacos e inquietação.

Segundo os especialistas, comportamentos impulsivos recorrentes, compras sem planejamento, rompimentos repentinos de relacionamentos e atitudes de risco são exemplos de situações que podem indicar dificuldade de regular as emoções.

Uma das estratégias mais eficazes é criar distância entre a emoção e a decisão. Em vez de responder imediatamente, vale estabelecer um intervalo que permita a redução da intensidade emocional.

“A primeira estratégia é ganhar tempo. Não responder naquele momento, esperar alguns minutos, horas ou até dias pode ajudar a emoção a sair do topo e permitir uma decisão mais racional”, orienta Yuri Busin.

Outra recomendação é identificar e nomear o que está sendo sentido. Reconhecer emoções como medo, ansiedade, frustração ou raiva ajuda a compreender melhor o impacto delas sobre os pensamentos e comportamentos.

Fazer perguntas simples também pode ser útil: “Eu tomaria essa mesma decisão amanhã?” ou “Essa escolha será boa para mim no futuro?”. Esse exercício favorece uma análise mais equilibrada e menos impulsiva.

Além disso, especialistas destacam que a psicoterapia pode ser uma ferramenta importante para desenvolver autoconhecimento, melhorar a compreensão das próprias emoções e fortalecer a capacidade de tomar decisões mais conscientes.

O objetivo não é eliminar as emoções, algo impossível para qualquer ser humano. O segredo está em permitir que elas participem da decisão sem assumir completamente o comando. Quando razão e emoção trabalham juntas, as chances de fazer escolhas mais equilibradas aumentam significativamente.

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