Uma audiência participativa sobre a cultura reggae reuniu artistas, produtores culturais e representantes da sociedade civil, nesta sexta, 22, para discutir os caminhos e desafios do segmento em Palmas. O encontro foi solicitado e organizado pelo Coletivo SOMOS, com o objetivo de ampliar o diálogo com a comunidade e fortalecer políticas públicas voltadas à valorização da cultura reggae no município.
Durante a audiência, foram debatidas pautas centrais como a escuta direta da categoria e suas experiências, a apresentação de propostas para o avanço do setor, além da discussão sobre demandas atuais e os principais desafios enfrentados pelos agentes culturais ligados ao reggae. Outro ponto destacado foi a construção de encaminhamentos que representem, de forma democrática, os interesses coletivos dos envolvidos.
A porta-voz do Coletivo, Thamires Lima, ressaltou a importância do espaço participativo como ferramenta de construção conjunta. “Esse é um momento fundamental para ouvir quem vive a cultura reggae no dia a dia. A partir dessas contribuições, conseguimos pensar em políticas mais efetivas e conectadas com a realidade da categoria”, afirmou.
Também presente na audiência, o covereador e atual secretário Extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Eduardo Azevedo, destacou o papel do poder público no fortalecimento das expressões culturais. “A cultura reggae tem um papel histórico na promoção da igualdade, da consciência social e dos direitos humanos. Esse diálogo é essencial para garantir reconhecimento e apoio institucional ao movimento”, pontuou.
A presidente da Associação de Reggae de Palmas, Raimunda Sousa dos Santos, também participou da audiência e trouxe um relato marcado por emoção e reivindicações da categoria. Segundo ela, a trajetória da associação tem sido construída com esforço e ainda enfrenta desafios significativos. “Eu agradeço de coração a oportunidade que o Coletivo SOMOS está nos dando, estou emocionada porque é um passo muito grande pra gente estar aqui hoje. O nosso sonho é ter a nossa sede, é ter um lugar pra gente ir sem ter pessoas nos olhando com cara ruim, sem discriminação” afirmou.
Raimunda ainda destacou o desejo de conquistar um espaço próprio para realização de atividades culturais, livre de preconceito. Ela também mencionou as dificuldades para realização de eventos em diferentes locais da cidade devido à discriminação, além de reforçar a importância da união do movimento para garantir reconhecimento e respeito. A presidente ainda compartilhou experiências pessoais, como a participação de seu filho autista em eventos de reggae, ressaltando o impacto positivo da cultura em sua vida e na de outras famílias.
Ao final da audiência, foram apresentados os Projetos de Lei nº 121 e nº 122, ambos de autoria da vereadora do Coletivo SOMOS. O Projeto de Lei nº 121 propõe a criação do Programa Municipal de Fomento à Linguagem de Cultura Reggae/Rastafari, com foco na valorização cultural, social e econômica do segmento . Já o Projeto de Lei nº 122 institui o Dia Municipal do Reggae em Palmas, a ser celebrado anualmente em 11 de maio, com o objetivo de reconhecer e incentivar a cultura reggae no calendário oficial do município.






