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Quem trabalha mais ganha menos na escala 6×1, diz estudo

Estudo mostra que jornada de 44 horas paga até 58% menos. Além disso, reduzir a carga teria impacto limitado sobre as empresas, segundo Ipea

por Metrópoles
23/04/2026
em Brasil
Tempo de leitura: 4 minutos
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Ramiro Lucena/Camâra dos Deputados/Reprodução

Ramiro Lucena/Camâra dos Deputados/Reprodução

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A jornada de trabalho mais longa no Brasil, de até 44 horas semanais, comum na escala 6×1, está concentrada entre trabalhadores de menor renda e pode aprofundar desigualdades no mercado de trabalho, afirma levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Ou seja, quem trabalha mais horas ganha, em média, menos. Os dados apontam que trabalhadores com jornada de 44 horas semanais recebem até 58% menos do que aqueles que cumprem 40 horas.

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A diferença não se explica apenas pelo número de horas trabalhadas, mas também pelo perfil das ocupações — os vínculos mais longos estão associados a empregos de menor qualificação e menor remuneração.

O modelo 6×1, predominante em setores como comércio e serviços, concentra trabalhadores com menor escolaridade, menor proteção e piores salários. Já jornadas reduzidas são mais comuns em ocupações formais de maior qualificação, com melhores condições de trabalho e remuneração.

Desigualdade social

A renda média de trabalhadores com jornada de 40 horas semanais gira em torno de R$ 6,2 mil, enquanto aqueles com 44 horas recebem pouco mais de 40% desse valor.

A diferença também aparece no ganho por hora, indicando que trabalhadores submetidos a jornadas mais longas não apenas trabalham mais, como também recebem proporcionalmente menos por esse tempo adicional.

Além disso, a jornada de 44 horas ainda predomina no país, representando cerca de três quartos dos vínculos formais, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Isso amplia o alcance do problema e seus efeitos sobre a desigualdade de renda.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a diminuição da jornada máxima para 40 horas semanais sem redução de salário tem ganhado cada vez mais espaço no debate público.

Segundo o Ipea, a mudança implicaria aumento do custo da hora trabalhada, mas em magnitude comparável aos reajustes reais do salário mínimo observados nos últimos anos, que foram absorvidos pelo mercado de trabalho sem impactos relevantes sobre o nível de emprego.

Estimativas do instituto indicam que a redução da jornada de 44 para 40 horas elevaria o custo médio do trabalho em cerca de 7,8%. Apesar disso, o impacto sobre o custo total das empresas seria limitado, inferior a 1% em setores como indústria e comércio.

Mercado e produtividade

Especialistas avaliam que parte desse aumento poderia ser compensada por ganhos de produtividade, reorganização de jornadas e redução de custos indiretos, como rotatividade.

Além disso, a redução da jornada pode estimular a formalização e melhorar a qualidade do emprego, ao tornar o mercado mais atrativo para trabalhadores hoje em ocupações precárias.

Segundo o técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc/Ipea), Felipe Pateo, a limitação da carga horária do trabalhador é entendida como um aumento do custo da hora de trabalho.

“Os empresários podem reagir de diversas formas a esse aumento, reduzir a produção é uma delas, mas eles podem também buscar aumentos na produtividade ou contratar mais trabalhadores para suprir a carga horária que cada um dos empregados anteriores deixou de disponibilizar”, disse.

Para além do debate econômico, a escala 6×1 também tem sido alvo de críticas por seus impactos sociais, como a dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal e o desgaste físico associado a jornadas extensas.

Nesse contexto, a discussão sobre a jornada de trabalho vai além da produtividade e passa a envolver temas como bem-estar, distribuição de renda e estrutura do mercado de trabalho brasileiro.

De acordo com Pateo, é importante entender as consequências sociais da redução da jornada máxima de trabalho.

“O possível impacto sobre o PIB deve ser sopesado com o aumento da qualidade de vida do trabalhador, o tempo disponibilizado para a realização de tarefas de cuidados e as consequências para a melhora da saúde da população”, concluiu.

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