A inadimplência entre jovens é maior do que a registrada entre adultos e idosos, segundo dados do Banco Central (BC), divulgados nesta segunda-feira (13/4).
O relatório de cidadania financeira de 2025 aponta que a inadimplência média dos jovens nos últimos oito anos foi de 3,3%, enquanto a dos adultos foi de 2,1%.
De acordo com a autoridade monetária, para a população com renda até dois salários mínimos, a inadimplência média do saldo de crédito dos últimos oito anos foi de 7,4% para jovens, 6,1% para adultos e 4,9% para idosos.
Já para as pessoas com rendas de dois a cinco salários mínimos, a inadimplência média até 2021 chegou em torno de 4%, porém, em 2022, atingiu um pico de 6,9% para jovens, 4,9% para adultos e 4% para idosos, convergindo na faixa de 4% a 5% em 2024.
“Uma hipótese a ser considerada é que os jovens apresentam menor controle sobre suas finanças, em razão de estarem em fase inicial de exposição a produtos de crédito, aliada a características comportamentais mais típicas dessa faixa etária, como baixa propensão ao planejamento financeiro de longo prazo”, diz o relatório.
Em 2024, entre os jovens com renda até dois salários-mínimos, 17,4% estavam inadimplentes. Para aqueles com renda entre dois e cinco salários-mínimos, a taxa de inadimplência foi de 13,8%. Já entre os jovens de maior renda, esse percentual foi de 10%.
Modalidade de crédito
O levantamento mostra que a principal modalidade de crédito utilizada pelos jovens é o cartão de crédito. Em 2024, 17 milhões de jovens utilizaram o cartão à vista e 13 milhões (79%) também utilizaram o rotativo ou o parcelado do cartão.
Das 80,8 milhões de pessoas que utilizaram cartão de crédito, os jovens representam 21% dos usuários. Já no cartão rotativo e parcelado, este percentual sobe para 24%.
O segundo produto mais utilizado foi o empréstimo pessoal, com 11 milhões de jovens, representando 26% dos 53,6 milhões dos tomadores de crédito desta modalidade.
“Os dados apresentados reforçam a particularidade da entrada dos jovens no Sistema Financeiro Nacional (SFN), com maior crescimento no uso do crédito que outras faixas etárias, enfrentando mais dificuldades com obtenção de limite de crédito e com o pagamento de dívidas. O crescimento da exposição a modalidades de crédito com juros elevados pode impactar no bem-estar financeiro dessa população, principalmente ao entrarem na vida adulta”.
Governo estuda medidas para diminuir o endividamento
O governo federal estuda um conjunto de medidas para conter o avanço do endividamento das famílias, com foco na população de baixa renda.
Entre as principais frentes estão a ampliação e o aperfeiçoamento de programas de renegociação de dívidas, além da criação de mecanismos que incentivem condições mais favoráveis de pagamento, como prazos maiores e juros reduzidos.
Também está em discussão o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para diminuir os juros.
A equipe econômica também avalia ações para ampliar o acesso ao crédito com menor custo, ao mesmo tempo em que busca evitar o superendividamento, com regras mais rígidas para a concessão de empréstimos.
Além disso, o governo discute medidas regulatórias para reduzir o custo do crédito, como mudanças no rotativo do cartão e no cheque especial, e o fortalecimento do cadastro positivo como forma de premiar bons pagadores com taxas mais baixas.







